Crítica - O Gambito da Rainha


No xadrez, obrigatoriamente, quem inicia o jogo é quem joga com as peças brancas. Apenas quem sabe muito de xadrez (ou não sabe nada) realiza a jogada inicial mexendo o peão que "protege" a rainha e pode vencer a partida em poucos minutos (ou perder a rainha, que é peça vital no jogo, em três rodadas ou menos). Tal movimento (peão para D4) é conhecido como o Gambito da Rainha.


O Gambito da Rainha (The Queen's Gambit) é, também, o nome da mais nova minissérie da Netflix e ela, em poucos momentos, é didática no que se refere ao xadrez e se você não sabe e/ou não faz questão nenhuma de saber das regras, mesmo assim, deve assisti-la despreocupado. O foco, na verdade, é na história de Beth Harmon (na fase adolescente/adulta, muito bem interpretada pela simpática Anya Taylor-Joy) que se tornou uma menina-prodígio no xadrez desde os 9 anos, embora não precisa vê-la jogando xadrez pra perceber sua inteligencia, gerando um carisma fácil por ela.


Baseada no livro de Walter Trevis, a minissérie, com sua ótima direção de arte e figurino, consegue imergir você nos EUA dos anos 60 e conta a história de uma órfã que, ao decorrer do sucesso, também vê crescer os dilemas, tais como ser uma mulher de destaque, algo difícil de lidar na época, além do relacionamento com a nova mãe adotiva, descobertas sexuais, álcool, dependência de drogas e tudo mais que a fama pode lhe trazer. Isso tudo é bem trabalhado e a trama traz discussões necessárias pros dias de hoje.


São sete episódios de 1h, em média, sem cansar o espectador, dando a possibilidade de maratonar tudo ou ir nas manhas. Isso é possível graças a ótima edição, que sabe mostrar momentos da infância de Beth e o que motiva ela a estar onde está. Também cabe elogios a direção e o roteiro, cujos diálogos veremos logo menos nas páginas de cultura pop do Instragram. Com isso só nos resta torcer pela vida pessoal e profissional da, quem sabe, melhor jogadora de xadrez do mundo, Beth Harmon.


Nota: 4 acarajés e um abará.