Crítica – A Vida Em Um Ano


A vida é muito curta para se fazer muitos planos

Segundo Jonh Lennon “A vida é aquilo que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos”. É interessante que mesmo num cosmos e, principalmente, num planeta cheio de vida, ela continua sendo tão rara. Talvez essa estranha e paradoxal realidade inspirou os roteiristas desse filme a escrevê-lo. Mesmo partindo de uma premissa um tanto quanto clichê e uma temática batida, A Vida Em Um Ano consegue estimular a reflexão e comover o espectador com essa breve e ao mesmo tempo eterna história de amor.

Daryn (Jaden Smith) um adolescente de 17 anos que segue um rigoroso planejamento de vida feito pelo pai, conhece e, posteriormente, se apaixona por Isabelle (Cara Dellevingne) cujo planejamento de vida é somente viver o momento uma vez que o câncer não a deixa pensar muito no futuro. Após descobrir a doença de sua amada, Daryn, contrariando a vontade do pai, decide viver tudo o que o cruel universo o impedirá de desfrutar com ela durante o ano que lhe resta.

O mais tocante no filme é a atuação dos protagonistas, desde o frame de interação entre os dois, a química é instantânea. Jaden demonstra um amadurecimento na sua atuação, sem exageros desnecessários e passando a emoção na dose correta quando a cena pede. O arco do seu personagem é bem interessante pois ao se deparar com a brevidade da vida ele entende que já é hora de tomar as rédeas do próprio futuro. A atuação de Cara é primorosa, conseguindo passar toda a frustração e também a comum dose de anarquismo de alguém nessa infeliz condição. Ao ter sua jornada entrelaçada com a de Daryn é nítido aos poucos a inicial barreira protetora cair e finalmente se permitir sentir-se amada.

A direção acerta no tom e na dinâmica que o filme tem, apostando quase que inteiramente suas fichas no casal de protagonistas. Mesmo se valendo de uma trama recheada de clichês comuns nesse gênero, a forma com que são trabalhados não chega a ser um incômodo para o espectador que deveras já está envolvido no desenrolar da história. Destaque também para a bela fotografia, mesmo que ambientada urbanamente, em união com a boa mixagem de som e com uma boa trilha sonora na voz do próprio Jaden.


O ponto negativo vai para alguns arcos que poderiam ser melhor explorados, tais como a reconciliação de Daryn com seu pai, vivido por Cuba Gooding Jr, e também um arco parecido de Cara com sua mãe. Em ambos os casos são resolvidos problemas complexos em uma cena, quando se tinha espaço para desenvolver melhor a situação. Também a linha temporal fica um pouco confusa, o título do filme dá a entender que os eventos ocorrerão ao longo de um ano mas não fica muito claro pra quem está assistindo se o que está acontecendo é em dias ou meses. Várias cenas são com Daryn revisando seu plano da vida em um ano em frente a um calendário, mas como está lotado de notas fica difícil de se ter um referencial de tempo.


A Vida Em Um Ano não é um filme imprevisível, só de ler esse texto você possivelmente já entendeu onde a história vai chegar. Também não é uma temática original, uma vez que filmes como "A Culpa É Das Estrelas" ou "Um Amor Para Recordar" já usaram os mesmos elementos, cada um do seu jeito, mas chegando ao mesmo clímax comum. Mas o ponto é que independe disso o filme consegue ser único, sincero e muito emocionante. Ao final, o choro ou qualquer expressão de empatia é completamente justificável pois já estamos conectados com o romance apresentado mesmo que ele seja jovem e clichê. Essa é a vida: a vida é clichê e ao mesmo tempo é rara, breve e linda. A mensagem é bem clara: Planeje menos, viva mais. Viva o momento, cada momento!

Sim, eu chorei, se você não chorar é você quem está morto por dentro...

NOTA: 4 ACARAJÉS (infelizmente o papel estará levemente pingado por lágrimas)