Crítica - Adão Negro

The Rock tem um plano.


Muito se foi divulgado pela mídia, em tons de rumores e informações, que Dwayne Fucking Johnson pretende estabelecer um universo cinematográfico da DC. Entender isso é muito importante e pode lhe ajudar a assistir Adão Negro com outros olhos.


O espectador médio verá o longa e vai achar ótimo. Lotado de referências ao universo da DC, nós vemos ação, aventura, um pouco de mitologia, drama, humor e piadas de altíssima qualidade. Características sempre presentes em filmes pipoca em que o protagonista do filme atua.


O espectador cinéfilo, que é mais detalhista, vai ver muito defeito. Há alguns personagens desnecessários. O vilão (de fato) não fede, nem cheira. O final tem soluções preguiçosas (algo que virou rotina em filmes da DC). Há muitas cenas em câmera lenta que devem somar uns 20 minutos das 2h04 totais da produção.


Confesso que os pontos citados acima reduziram minha nota final, mas reitero: The Rock tem um plano.


Adão Negro será considerado um filme de origem, embora essa tal origem seja contada nos primeiros dez minutos da história. Daí em diante o filme segue uma tônica em torno da discussão sobre a linha tênue entre ser herói e vilão, linha essa que vem sendo chamada de "ser um anti-herói". Embora o termo "anti-herói" não seja mencionado em momento algum, o entorno da discussão é sempre presente e termina sendo o causador da trama principal: a Sociedade da Justiça, comandada pelo Gavião Negro (Aldis Hodge), indo combater um ser poderoso que anda matando gente em Kahndaq. Essa gente morta, na maioria dos casos, são capangas da Intergangue e esses bandidos indo de comes e bebes se torna um livramento para os habitantes do local. Com isso, surge a pergunta: Teth-Adam (nome original do Black Adam) é o vilão pra quem?


Com (auto) críticas fortes sobre o modo de se fazer justiça, ou não, a DC estabelece muito bem o lugar do Adão Negro nesse universo. Isso faltou para o Batman do Ben Affleck, por exemplo, quando foi empurrado no DCU (Universo Cinematográfico da DC) pelo Zack Snyder e seu "Save Martha". A Sociedade da Justiça, que tem um Noah Centineo (Esmaga-Átomo) fazendo um pateta, foi bem inserida e causa expectativas para possíveis novas aparições no futuro. Outros personagens, esperados ou não, aparecem de forma pontual e importante para um estabelecimento de boas conexões entre outros heróis e vilões da companhia.


The Rock tem um plano. Se tudo der certo, vamos olhar pra trás e entender que Adão Negro foi um divisor de águas. Por isso que escrevi nesse texto alguns pontos sobre presente e, possivelmente, futuro do universo DC. Quem assistir de mente aberta, vai se divertir muito. Quem assistir com a caderneta do ódio, vai achar bem ruim, embora se divirta do mesmo jeito. É um filme protagonizado pelo The Rock, produzido pelo The Rock, logo vai ter cara de filme do The Rock. Terá a nota que tem, mas é um material esperançoso. The Rock tem um plano e preferiu a DC. Quem sou eu pra contrariar The Rock?


Nota: 4 acarajés


Fica! Tem bolo, uma cena pós-créditos, e um minitexto com spoilers do filme abaixo. Fica o aviso.



A cena pós-créditos, com os cumprimentos de Amanda Waller (Viola Davis), é banhada em Fórmula Marvel (sim!), assim como grande parte do filme. Momentos cômicos, críticas sociais e resoluções simples de narrativa são indicativos de que a DC está disposta a aprender com a outra companhia e espero que não tenha medo de ser feliz, em vez de ser sombrio e realista. Pra encerrar, deu gosto de ver o Henry Cavill com aquela peita e sem o buço modificado por CGI de volta. Confio no plano, Dwayne.