Crítica - Armageddon Time


Com o intuito de revisitar memórias da infância e explicitar a verdadeira face do sonho americano pela ótica de um garoto, neste drama de época o diretor James Gray nos convida a viajar no tempo e imergir dentro dos sonhos e expectativas de um jovem artista.


Ambientado em Nova York nos anos 80,  Armageddon Time nos insere na percepção de mundo do membro mais novo da família Graff, Paul (Banks Repeta) é um garoto do Queens de uma família de judeus que vieram para América em busca de viver o tão enaltecido sonho americano. Partindo da perspectiva do Paul, somos imersos em como o mesmo percebe o mundo ao seu redor, por hora sofrendo cobranças da sua família para que ele e seu irmão mais velho Ted (Ryan Sell) venham a ser bem sucedidos e ocuparem um status de demasiada importância na sociedade, ou vez em outra apenas sendo incentivado pelo seu avô Aaron Rabinowitz (Anthony Hopkins) a ser o artista que ele almeja ser.


Com uma retratação não só de uma dinâmica familiar mas também de uma sociedade essencialmente racista, a narrativa sofre com a falta de um diálogo mais direcionado a falar sobre esses temas, o que acaba ocasionando apenas a percepção de um garoto frente a tudo isso. Ele sabe que tem algo errado, mas não sabe como agir e não entende completamente o que ocorre frequentemente com o seu amigo Johnny (Jaylin Webb), que é negro e, assim como ele, sonha em ir para Califórnia e se tornar membro do grupo de astronautas da Nasa, entretanto vive constantemente sendo atacado pelo seu professor e é tido com algo quase que invisível ou irrelevante. Mas, como eu disse, isso não é explicitado de forma que acabe gerando algum debate, isso é apenas percebido pela ótica de uma criança.


É necessário comentar que as dinâmicas mostradas dentro da família Graff são bastante interessantes, que são compostas por mesas de jantar completamente caóticas, conversas completamente acolhedoras e visões diferente de realidade. A trama não peca no quesito drama familiar, talvez por isso a passagem de tempo durante o longa seja tão suave por quase toda a sua totalidade. Porém é útil comentar que o encerramento sofre muito de um objetivo a ser alcançado que nós dá a sensação de um fechamento de ciclo e, por conta disso - embora eu tenha certeza que o final agrada bastante o diretor -, ele acaba se tornando demasiado confuso para o público, que facilmente pode ter a sensação de que passou quase 2h sentado assistindo uma coisa que ainda não teve um final idealizado. 


(Ps: o Anthony Hopkins poderia levar fácil o oscar por interpretar o avô mais fofo do mundo)


NOTA: 3 Jujubinhas 



Ficha técnica:


Direção: James Gray 

Estreia: 10/11/2022

País:EUA 

Gênero: Drama de Época 

Ano: 2022

Duração: 1H 54min

Classificação: 16