Crítica - Bela Vingança



Um filme que nos traz acima de qualquer coisa, reflexão. Até que ponto não estamos sendo coniventes? "Eu não fiz nada" essa frase também carrega culpa.


A discussão principal desse longa metragem são as marcas e as consequências deixadas na vida das pessoas que sofreram abuso sexual, não só a própria vítima, mas todas as pessoas a sua volta.


No filme acompanhamos a história de Cassie (Carey Hannah Mulligan) que têm sua vida completamente modificada após um trauma sofrido por sua amiga Nina e desde então ela nunca mais foi a mesma, na tentativa desesperada de corrigir as ramificações de um passado desastroso, perseguindo e "acertando as contas" com as pessoas envolvidas no caso de sua amiga.


Quando pensamos em um filme de suspense esperamos algo um pouco diferente do que Bela Vingança nos trouxe, os momentos intensos existem mas não são tão profundos e nem tão recorrentes quanto o esperado. Por outro lado, o humor sarcástico traz um ritmo agradável, e enquanto espectadora me prendeu mais do que as cenas da tensão, além disso, a trilha sonora de cenas específicas tem um tom irônico e acrescenta ainda mais nesse modo de humor ácido.


Mas será que todos vão ter o mesmo destino?


Surpreendentemente, o roteiro do filme aborda também o arrependimento e o perdão quando é merecido, de uma maneira sutil e compreensível em uma cena com um personagem bem especifico. Para o espectador tal reação da protagonista não era esperado, mas nos trás uma humanização a essa personagem, e isso faz com que Cassie se aproxime um pouco mais da realidade, com as atitudes e dores de uma mulher real.


Em suma, o filme falha em tentar ser colocado no gênero de suspense, mas alcança o sucesso ao colocar em pauta assuntos tão importantes como, culpabilização da vítima, uma sociedade que infantilidade os homens e não os permite serem responsáveis pelos seus atos e um sistema judiciário falho que ainda possui resquícios profundos de machismo.