Crítica – Clube da Luta para Mulheres

Se o que você está procurando é um roteiro ajustado e um filme de alta qualidade sobre um clube de luta feminino, sinto informar que não é bem isso que te aguarda ao assistir Clube da Luta para Mulheres (Chick Fight: Hit Like A Girl), produzido por Paul Leyden.

Anna (Marlin Akerman) é uma mulher normal e sem muita personalidade, no ápice de uma crise em sua vida adulta, mas ao ser apresentada à um clube de luta clandestino apenas para mulheres por sua melhor amiga Charleen (Dulcé Sloan), tudo parece admitir uma nova perspectivas ao ser informada que sua falecida mãe é a fundadora do local. Isso tudo, pelo menos até Olivia (Bella Thorne) confrontar a protagonista, a levando a planejar um desafio por puro impulso dentro de dois meses, dando início à uma corrida para que Anna possa finalmente aprender a lutar e recuperar sua autoconfiança.


E, obviamente, como uma boa fã de protagonismos femininos, foi uma surpresa quando o longa não se tratou de nada além de uma decepção. O humor, apesar da presença da ilustre comediante Dulcé Sloan, é forçado ou pouco oportuno, caindo na mesmice de tantos outros besteiróis por aí, sem contar que o cliché da amiga negra que serve como suporte emocional e é estravagante em todos os momentos está novamente presente (além da óbvia sexualização exagerada da mesma). Ademais, a atuação é, no mínimo, questionável e hiper focada na protagonista, sem desenvolver nenhum dos outros personagens, apenas fazendo uso dos mesmos quando Anna precisa aprender algo.


A narrativa caí na repetição padrão da trilha do herói que procura um mentor de índole duvidosa, este interpretado por Alec Baldwin, superando seus limites até encarar uma dificuldade maior que a faz duvidar de tudo, mas ainda assim, como maior prova ainda de sua mudança, a enfrenta, saindo vitoriosa.


Contudo, com todas as críticas, a tentativa de representação feminina, a mensagem de solidariedade entre mulheres e um novo tipo de uma suposta feminilidade, afinal, garotas também podem lutar, é válida, ainda que se perca na narrativa grande parte do tempo, como por exemplo, quando a personagem de Anna e Olivia acirram o atrito por conta do enfermeiro que cuida das lutadoras machucadas no clube, Dr. Roy Park (Kevin Connolly), apenas servindo para reforçar ainda mais um dos clichês mais básico do cinema: a competitividade feminina por atenção masculina.


O que salva, em parte, o longa, são as cenas de luta, relativamente bem feitas, mas não é possível ignorar a quantidade de plots colocados sob o mesmo guarda-chuva, ocorrendo até mesmo um pequeno infarto por parte do pai de Anna, Ed (Kevin Nash), personagem que apenas serve para enfeitar a narrativa e tocar (de maneira altamente superficial) a questão da pauta LGBTQIA+.


Nota: um acarajé.