Crítica - Cruella

Cruella DeVill, If she doesn’t scare you no evil thing will /

Cruella DeVill, se ela não te assustar nenhuma coisa má irá


Todos que souberam da existência do mais novo live-action da Disney se encheram de expectativas negativas sobre o seu resultado, e desde então, sempre que o filme Cruella era trazido para debate a especulação era de um longa metragem medíocre. Entretanto a surpreendente realidade é que a obra, até então, a melhor releitura de clássicos.


O filme nos dá acesso a história de vida da personagem desde seu nascimento, até a Cruella DeVill que todos conhecemos e (alguns de nós) amamos. De acordo com o roteiro, Cruella é o alter ego de Estella (Emma Stone), uma jovem que desde muito nova sempre teve um comportamento divergente do que a sociedade da sua época esperava de uma mulher. Sempre sendo descrita, por ela mesma, como inteligente, determinada, criativa e genial, a jovem tem um talento natural para moda e, mesmo entre todas as adversidades que surgem no seu caminho, ela alcança o seu objetivo principal que é trabalhar com a Baronesa (Emma Thompson). Porém, o que a nossa protagonista não esperava é que, assim que alcançasse o seu tão sonhado emprego, um atravessamento aconteceria em sua vida e mudaria completamente sua perspectiva de prioridade para vingança.



Diferente dos outros live-actions de sucesso (a franquia Malévola), a intenção do filme em questão não é justificar as ações da personagem principal a partir de episódios traumáticos sofridos por ela e, sim nos permitir conhecer as dimensões em que ela é atingida. É verdade que ao longe de sua vida, vamos ter sim acesso aos dramas vividos por Estella, mas esse não é o ponto principal. O roteiro traz a luz todas as versões da protagonista: a criança geniosa que não se encaixa, a jovem criativa e esforçada que busca reconhecimento a todo custo e seu emblemático alter ego que, no fim das contas, acaba tomando lugar de todas as outras.

As duas características marcantes de Cruella são o seu senso fashion e os dálmatas, itens que são inteligentemente explorados da sua melhor maneira pelo filme. Os vestidos utilizados pela personagem principal são surpreendentes, com uma referência punk e trash unindo o melhor dos dois mundos. É importante ressaltar duas modificações da animação no filme: o fato da personagem sempre andar com um cigarro e também o abuso animal cometido por ela. Ambas as características foram abolidas e não são referenciadas propositalmente, de acordo com a própria atriz principal.


Uma das maiores preocupações do público foi a escalação de Emma Stone para representar Cruella, afinal, já tivemos Glenn Close como referência, que cumpriu sua tarefa de maneira majestosa e inigualável. Do outro lado, Emma vem de uma sequência de personagens que possuem sempre a mesma energia, que é completamente divergente da vilã. Mas surpreendendo a todos, a atriz tem um desempenho impecável, satisfazendo a todos os fãs.

O longa metragem conta com uma cena pós-créditos, cujo easter egg dá a entender a possibilidade de uma sequência com referência ao filme 101 Dálmatas ou, até mesmo, um remake do clássico. Seguindo a mesma linha de raciocínio, muitos fãs já idealizaram um trabalho em dupla entre Emma Stone e Glenn Close. Quando questionada sobre isso, Emma respondeu que adoraria que os rumores fossem verdadeiros mas não deu nenhuma pista concreta.


Menção Honrosa: A trilha sonora do filme perfeitamente escolhida por Jenny Beavan, que já ganhou um Oscar por produzir a trilha de Mad Max (2015) e mais uma vez ele acertou divinamente. A lista contém nomes como Beatles, The Zombies, Nina Simone, entre outros, além disso a música tema ganhou uma nova roupagem, mais densa e punk do que a original, interpretada por Florence + The Machine, resultando numa versão igualmente envolvente de ouvir.


Nota: 5 Acarajés


FICHA TÉCNICA:

Duração: 134 minutos

Estreia: 27 de maio de 2021

Distribuidora: Walt Disney Studios Motion Pictures

Dirigido por: Craig Gillespie

Classificação: 12 anos

Gênero: Aventura, Comédia