Crítica - Dano Colateral

É sempre interessante assistir filmes estrangeiros, ainda mais quando são de fora de Hollywood, portanto, Dano Colateral, novo filme da Netflix, é um drama policial interessante em sua repetição de enredo, devidamente bem feito. Em resumo, o filme segue o capitão Harun (Yilmaz Erdogan), membro estimado entre os homens da policia turca, cujo prêmio recente lhe dá ainda mais prestígio. Contudo, após sair de uma comemoração tardia, o capitão se vê levado à um local esmo, brigando pela sua vida com o taxista que o conduziria para casa, vencendo a briga ao assassiná-lo. Não há denuncia feita, não há explicação dada, e o que Harun acreditou ser um caso isolado, que mais cedo ou mais tarde esqueceria, aparece misteriosamente em frente à estação de polícia: o corpo da noite anterior pendurado num andaime, para quem quer que quisesse ver.


Um dos pontos interessantes do filme é conhecer um pouco mais da cultura turca, como por exemplo seu idioma, porém ao mesmo tempo, a filmagem é feita de forma em que o cenário se pareça com qualquer outra cidade grande do mundo, o que é positivo, porque cria certa intimidade no expectador, mas ao mesmo tempo, também teria sido interessante, na minha opinião, ver um pouco mais da localidade em suas especificidades, sua arquitetura própria e etc.



Além disso, mesmo com o enredo relativamente repetitivo (mais do mesmo, semelhante com outros filmes do gênero), com reviravoltas bastante previsíveis, o filme ainda merece seu mérito, mesmo que a forma não tenha sido perfeita e inovadora. Os personagens são bem explorados na medida do possível, mas algumas coisas simplesmente ficam mal explicadas durante o longa, dando uma leve sensação de que todo aquele alvoroço inicial da investigação foi mal aproveitado.


De qualquer forma, outro ponto é demonstrar principalmente o teor emocional e psicológico dos personagens, característica que parece guiar o longa; não se pode dizer apenas que são vilões ou heróis, muito mais sendo uma questão do contexto que parece tê-los corrompido ou suas motivações pessoais. De fato, as atuações não são das melhores, mas dão conta do recado de certa forma. Outro ponto em favor do filme é demonstrar que corrupção e sujeira entre a camada policial não é um aspecto daquele ou deste país, mas sim tão universal como podemos imaginar.


Não menos importante é a mensagem deixada pelo longa: nossas ações, cada uma delas ou até mesmo a falta das mesmas dizem muito sobre quem somos e sobre o nosso futuro, de forma que até mesmo podemos perder o controle dele.


Nota: 3 acarajés.


Ficha Técnica

Título Original: Kin

Ano: 2021

Duração: 105 minutos

Roteiro: Yilmaz Erdogan

Produção: BKM Films

Distribuição: Netflix Türkiye

Elenco: Ahmet Mumtaz Taylan, Cem Yigit Uzümoglu, Yilmaz Erdogan

Gênero: Drama, Thriller

País de Origem: Turquia