Crítica - DONDA (Kanye West)

Kanye West, para muitos é apenas um cara muito louco, para outros uma pessoa com problemas psicológicos que afetam suas ações. Mas a grande maioria reconhece que ele tem uma mente criativa muito boa e quase sempre entrega algo de qualidade em seus trabalhos e não foi diferente dessa vez. Aquele que para mim tem um dos melhores álbuns de estreia do gênero musical ao lado de Illmatic do Nas e Ready to Die do The Notorious B.I.G, nos trouxe em DONDA uma continuação da sua nova pegada mais religiosa aos trabalhos, reflexões sobre sua vida e estado mental, além de um ode aquela que é a pessoa mais importante da sua vida, sua mãe Donda West.

O disco está recheado de convidados como JAY-Z, The Weeknd, Travis Scott, Playboi Carti, Chris Brown, Baby Keem e vários outros. Além de ser mais apropriado como experiência do que apenas um albúm (dado seu número de faixas e duração), DONDA traz ao público um Kayne ainda mais convicto das suas crenças religiosas como na faixa God Breathed, onde ele faz uma pregação para o ouvinte para que o mesmo acredite em Deus ao mesmo tempo que há no fundo uma batida bem low key para que você preste atenção apenas no que ele está dizendo. Em Jail (na versão com JAY-Z), o Kanye chega a expor seu sentimento com relação ao seu recente divórcio com Kim Kardashian West, mostrando que ainda dói nele essa separação, mesmo tentando superá-la. Outra música que reforça essa religiosidade é Praise God onde, como o título diz, contém o protégé de Kanye, Travis Scott e o Baby Keem falando sobre seus motivos para “louvar a Deus” além de uma fala da Donda West sobre a Sua causa.


Não dá para falar de todas as faixas aqui, afinal são 27. Porém ainda quero citar mais algumas como Ok Ok que é uma crítica ao cenário da indústria musical, de que ela só “santifica ou demoniza” os artistas de acordo com o que melhor para seus próprios interesses; Believe What I Say, que contém o sample de Doo Wop, da incrível Ms. Lauren Hill; e 24 que, segundo o Kanye, é um tributo a Kobe Bryant que morreu em Janeiro de 2020 num acidente de helicóptero.


Avaliando como um todo, desde de quando o Kanye começou com essa veia mais “gospel” em seus trabalho em The Life of Pablo, DONDA mostra uma convicção mais forte em Deus, um Kanye mais aberto a falar sobre o que te incomoda e te machuca, além de um álbum com música boas e muito bem produzidas, independente do teor de suas letras. Uma polêmica foram as participações de Marilyn Manson e DaBaby, depois de inúmeras denuncias de assédio sexual do primeiro e recentes comentários homofóbicos do segundo. Ainda tivemos o Soulja Boy chamando o Kanye de “covarde” por ter removido seu verso de uma das músicas do disco sem nenhuma explicação.

O que realmente acaba me desapontando dentro de toda experiência de DONDA é a sua visível confusão pois o álbum parece que o Kanye quis botar muita coisa em um disco só e não soube como organizar suas ideias, deixando a mesmas “espalhadas” e tornando-o longo demais e com uma temática que muitos não costumam ouvir.


Nota: 3 acarajés e 1 abará de quebra.