Crítica - Doutor Estranho No Multiverso da Loucura

Atualizado: 26 de mai.

Definitivamente esse é o filme mais denso e pesado da UCM e talvez essa seja uma das suas maiores qualidades.

Após anos de críticas sobre a tal fórmula da Marvel, está mais do que claro que Kevin Feige está interessado em trazer novos ares para essa nova fase que ele está iniciando com as novas narrativas incluídas no universo cinemático da Marvel, diferente de Eternos que foi duramente rejeitado pelo público, Multiverso da Loucura dividiu opiniões mas ainda assim foi um acerto.


E esse acerto deve-se a Sam Raimi, o já renomado de diretor e produtor de filmes de terror e suspense como Arraste-me Para o Inferno (2009), A Morte do Demônio (2013) e O Grito (2020) além de ser responsável pela primeira trilogia do Homem-Aranha. A fusão perfeita da experiência em ambas as áreas nos trouxe a Doutor Estranho no Multiverso da Loucura.


Quem for ao cinema achando que vai se deparar com mais uma história onde Strange (Benedict Cumberbatch) é o protagonista, é possível que sinta uma pequena decepção, afinal quem realmente rouba a cena é Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) que brilha, não só na questão da atuação da atriz, mas também por possuir todo um roteiro voltado para a existência da sua personagem. Ainda sobre isso, acredito que poderíamos ter recebido mais do que algumas falas sobre o desenvolvimento de Wanda, que saiu de fiel vingadora para vilã egoísta em poucos minutos. Como espectadora esse aspecto do roteiro deixou a desejar.


Por outro lado, essa obra em questão deixou bem claro que nossos heróis (e vilões também) possuem motivações muito mais palpáveis do que nas outras Eras dos filmes da Marvel. Sempre houve uma discussão sobre a área cinzenta que difere um vilão de um herói. Apenas a motivação? Strange é um ótimo exemplo disso, ele sempre deixou bem claro dentro de toda a sua arrogância (digo na melhor das intenções) que passaria por cima de qualquer coisa para proteger o multiverso e o que quer que ele guardasse. Logo em seguida vemos Wanda tendo as mesmas atitudes, passando por cima de coisas que ela, até então, abominava (matar pessoas) para conseguir ter de volta seus filhos, e para ambos suas ações drásticas são completamente justificáveis.


Acho importante pontuar a falta de necessidade da personagem América Chavez (Xochitl Gomez), que possui o poder de viajar entre os multiversos, mesmo ainda não os dominando, sem querer ser extrema mas a substituição dessa personagem por um objeto tal qual as pedras do infinito poderiam se tornar até mais interessante, afinal ela não acrescentou absolutamente em nada no roteiro.


Enquanto fã, devo dizer que esse filme trouxe nostalgia ao ver rostos antigos ressurgindo e também animação ao ver pontas soltas deixadas nos seriados sendo trazidas para os filmes. O roteiro é muito bem amarrado resolvendo todos os conflitos que são abertos na obra. Doutor Estranho no Multiverso da Loucura traz muito a tona a zona cinzenta que vivem os nossos personagens, conseguimos tanto comprar a motivação de Wanda mesmo sabendo que ela está indo pelo caminho errado, mas também não conseguimos apoiar completamente com o Mestre das artes místicas, afinal ninguém é completamente bom.


Nota: 4 acarajés e uma banda


FICHA TÉCNICA


Título Original: Doctor Strange in the Multiverse of Madness

Duração: 126 minutos

Ano produção: 2021

Estreia: 05 de maio de 2022

Distribuidora: Marvel Studios

Dirigido por: Sam Raimi

Gênero: Ação, Aventura, Fantasia