Crítica - Ferida



Ferida, filme de estreia como Diretora da atriz (e também protagonista) Halle Berry, é mais um daqueles filmes de superação pelo esporte. O longa, de 132 minutos, narra a história de Jackie Justice, uma ex-lutadora de MMA, após sofrer um grande fracasso em sua carreira. Os primeiros minutos do filme contentam-se em exibir como a vida da personagem é sofrida. Jackie agora é uma empregada doméstica, assediada no trabalho pelo filho da patroa; é frustrada, por isso bebe e fuma para fugir da realidade; vive num relacionamento estranho em que se submete a atos abusivos do namorado (Adan Canto) pelo sentimento de débito que tem por ele, afinal ele fora seu empresário durante suas 10 vitórias e 1 derrota nos campeonatos do esporte. Jackie vê-se sem perspectiva até que, convenientemente, seu filho de 6 anos, a que abandonou para focar na carreira, aparece depois do pai ter sido assassinado.


Bom, pelo adjetivo que escolhi acima, há um fato presente no filme: Ferida é produto de conveniências de roteiro. Justamente quando a lutadora começa a reacender seus sentimentos pelo esporte, oportunamente ela derruba iconograficamente uma criança no trabalho como símbolo de afastamento dum amor maternal, ela cai em si de que precisa sair desta vida cativa, seu filho aparece, um olheiro de campeonato (Shamier Anderson) a vê numa luta clandestina e ela volta a treinar. Sua treinadora (Sheila Atim) é divorciada da esposa e tem uma filha (pacote que Jackie oferece). O roteiro não é substancial, não propõe reflexões pessoais e coletivas, tampouco é atraente. Ferida é um filme arrastado que tive que ver na velocidade 1.5x – não há cenas que justifiquem qualquer empenho contemplativo ou de demora na virada da trama. É em cima do muro, não se define exatamente como um drama rico nem como um filme de inspiração através do esporte.


O único ator que convence é o pequeno Danny Boyd que mesmo sem dizer uma só palavra em todo o filme, diz tudo. Conjunto de cenas de transformação gratuitas e clichês. Se for pra isso, melhor assistir a The Best Shape of my Life, de Will Smith, porque pelo menos tem uma história complexa por trás.



O longa tem produção de Halle Berry, Brad Feinstein, Guymon Casady e roteiro de Michelle Rosenfarb. Saiu na plataforma de streaming Netflix em Novembro de 2021. Certamente não é um filme pra passar o tempo ou pensar, é aquele que fica na estante para jamais ser visto novamente.



Nota: 2 acarajés.


Ficha Técnica: Ferida (Original Netflix)

Título Original: Bruised

Duração: 132 minutos

Ano produção: 2021

Estreia: 24 de novembro de 2021

Distribuidora: Netflix

Dirigido por: Halle Berry

Classificação: 18 anos

Gênero: Drama, Artes Marciais, LGBTQ

Países de Origem: EUA, Reino Unido