Crítica - Fuja

Até onde vai o “cuidado” de uma mãe?

Em Fuja, Chloe (Kiera Allen), uma adolescente paraplégica acometida por inúmeras enfermidades é educada em casa por sua mãe Diane(Sarah Paulson). Porém, o comportamento atípico dela desperta sua curiosidade para a descoberta de seus segredos mais obscuros.


O terror psicológico traz vários elementos típicos do seu gênero, indo desde o roteiro, fotografia, trilha sonora e plot twist surpreendente. O filme é simples em sua essência, trazendo uma locação fixa única, que é a casa da família, e um elenco principal mínimo, construído pelas duas atrizes, que brilharam em absolutamente todas as cenas.


A química entre as duas atrizes é inegável a tal ponto que em poucos minutos de filme o telespectador acredita fielmente na relação de confiança, de amor e cuidado entre elas.

Inicialmente conhecemos Diane, uma mãe que se mostra completamente segura e, inclusive, feliz pela nova possibilidade de sua filha ir para a faculdade. Essa personagem é o centro principal da trama. Seu comportamento é o segmento para as cenas de tensão, que são dirigidas com maestria por Aneesh Chaganty.


A tensão do filme aumenta tanto quanto vamos conhecendo essa personagem através dos olhos de sua filha, que aparentemente não fazia a menor ideia da pessoa que realmente é a sua mãe. E é assim que nos aprofundamos em um comportamento superprotetor, em níveis obsessivos e nos damos conta que nada é o que realmente parece ser.


Fuja é um clássico terror psicológico que nos faz questionar o tempo inteiro qual será o próximo passo dos personagens e o que as ações atuais acarretaram no futuro. O drama da trama é extremamente envolvente e se constrói nos mínimos detalhes, tanto no roteiro quanto na direção de cena.


Quando vemos uma sombra no corredor ou quando nos damos conta da quase onisciência de um personagem em questão, principalmente no fato de que, a casa, que sempre foi o local de conforto e segurança de Chloe, acaba se tornando sua maior prisão e lhe causa medo constante.


O diferencial desse filme é que ele nos apresenta duas personagens igualmente inteligentes e fortes, o que faz o telespectador questionar constantemente quem irá alcançar seu objetivo final, porque o único ponto de fragilidade não está em uma personagem, mas sim no fator de que aquela é uma relação de mãe e filha.



Kieran Allen está sensacional em seu primeiro filme como protagonista. Consegue nos passar verdade em todos os momentos e, inclusive, nos transmite seu medo e insegurança ao longo das descobertas. A tensão, a decepção, a agonia e o medo da personagem são passados pela atriz de forma incrível e mostra que a mesma tem um longo caminho pela frente.


Sarah Paulson mais uma vez provou que é versátil e que consegue convencer o telespectador em qualquer papel que estiver exercendo. As mudanças sutis da personagem são passadas com maestria pela atriz, que nos faz viajar de uma mãe zelosa até a loucura sem nos tirar do eixo ou questionar seus atos, sendo brilhante a maneira como ela nos conecta e passa sua intenção.


Numa análise geral, Fuja cumpre seu papel em nos manter atentos e tensos constantemente. Pessoalmente, é um filme de seu gênero que tem uma qualidade excepcional. Havia muito tempo que não tinha contato com uma obra tão intensa e fluida, que me fizesse ficar presa em frente à televisão, atenta para descobrir o desfecho.

Nota: 5 acarajés