Crítica - Heartstopper (1ª Temporada)

Série que faz renascer a esperança de que vale a pena acreditar na felicidade apesar de todos os pesares.



Há quanto tempo a gente não tinha acesso a um filme ou série que deixa o nosso coração quentinho, sem precisar de muito drama ou muito sofrimento ao longo do roteiro. Um romance simples e fofo que conseguimos assistir e automaticamente querer iniciar um relacionamento (digo diretamente a quem está solteira ou solteiro no momento).


Heartstopper é uma série juvenil da Netflix com temática LGBTQIA+ inspirada na série de HQs da autora Alice Oseman. Nós acompanhamos a história de Charlie Spring (Joe Locke), um garoto que estuda em um colégio apenas para garotos e teve sua sexualidade revelada forçadamente pelo seus colegas de classe em forma de bullying e, por esse motivo, ele se reserva a ficar apenas com sua pequena bolha de amigos, que são Tao (William Gao), o amigo protetor que está sempre a postos para defender qualquer um dos seus companheiros; Isaac (Tobie Donovan), o mais introvertido do grupo, porém o maior incentivador de Charlie em suas desventuras amorosas; e Elle (Yasmin Finney), uma garota trans que foi transferida para o colégio exclusivo para meninas, mas ainda assim continua mantendo um laço firme de amizade com o resto do grupo. Charlie vê seu cotidiano virar de cabeça para baixo quando começa a ser a dupla de classe de Nick Nelson (Kit Connor) que faz parte do time de rugby e é extremamente popular. Sim, temos o clichê dos clichês, mas nunca foi tão satisfatório assistir uma história que você já reconhece o caminhar.


A doçura e a sensibilidade como assuntos tão importantes foram retratados nessa série, fizeram tudo fluir da maneira que eles deviam ser tratados na vida real, com normalidade e com olhar do amor mais puro possível. Acompanhar o descobrimento do primeiro amor e todas as sensações que o acompanham aquece o coração do espectador e dá um prazer enorme de estar assistindo algo de tamanha qualidade. Honestamente, acompanhar os episódios dessa série me recordou a doçura do filme Meu Primeiro Amor (1991), com um final menos trágico para a felicidade da nação.


Por fim, posso dizer tranquilamente que há muitos anos eu não tinha acompanhado algo que tivesse me feito sorrir tanto em todos os episódios. Recomendo para todas as pessoas que gostam de séries românticas e leves. A direção de Euros Lyn acompanhou perfeitamente a delicadeza e o timing da autora. A série além de toda sua delicadeza não esconde a brutalidade da sociedade preconceituosa mas acende a esperança de viver um amor dentro de toda essa loucura.


Nota: 5 acarajés