Crítica - King Richard: Criando Campeãs


Venus Williams foi a primeira mulher preta a se tornar a tenista nº 1 do mundo, em 2002. Serena Williams se tornou a melhor e maior tenista da história (independente de gênero. Se você acha que é aquele negacionista desgraçado do Djokovic, vai assistir tênis e conferir as estatísticas da maior vencedora de Grand Slams). Por muito tempo, as duas dividiram a primeira e segunda colocação do ranking da WTA (Associação de Tênis Feminino) e juntas ganharam duas olimpíadas (Pequim 2008 e Londres 2012) na modalidade de duplas, além de terem sido campeãs no simples em outros jogos olímpicos. Esse enorme sucesso delas se deve muito graças a um plano que o seu pai, Richard Williams, havia traçado antes mesmo delas nascerem.


King Richard: Criando Campeãs conta muito bem a história de como o bendito plano se desenrolou durante quinze anos, mais ou menos. Um plano que, definitivamente, vai de encontro a correnteza em vários aspectos. Começando pelo fato de serem duas gurias pretas pobres num esporte predominantemente branco e rico. Às vezes seria preciso um pouco de teimosia e muita perseverança por parte das meninas e, principalmente, do pai delas. Uma história difícil de ser contada nos cinemas e que é requerida grandes atuações. Will Smith é Will Smith, amigos. Tá pra sair um filme com ele, onde ele não roube a cena e não entregue absolutamente tudo. Essas características citadas acima que o Richard teve, vimos num Will Smith que sabe fazer muito bem filmes de drama e dá pra sentir o grande trabalho que ele faz na mudança de voz, na leve caracterização feita com ele e nas diferentes camadas entregues do personagem que precisavam ir de zero a 100 km/h muito rápido (agradeço a Tarcísio e Bia - vulgo Chefinha - por deixarem essa frase de efeito na minha cabeça).


O filme é do Richard, mas precisava ser também das irmãs Williams e as meninas que fazem Venus e Serena (Saniyya Sidney e Demi Singleton, respectivamente) são ótimas e quando precisamos lembrar que a mãe das meninas, Oracene (Aunjanue Ellis) - conhecida mais como Brandy Williams - também é parte importantíssima do tal plano, ela se faz presente e muito bem. Na dosagem certa, temos grandes atuações e parte disso é mérito da direção e roteiro que dão os espaços no tempo certo e conseguem extrair o melhor de todo mundo. Além das atuações e um roteiro muito bom e facilitador pra que essa história seja contada, a ambientação da época, do universo do tênis, da marginalizada Compton (local onde a família residiu antes de se mudar pra um grande centro de treinamento na Flórida), da prepotência do bando de burguês safado que permeavam o meio do esporte - tanto empresários como alguns atletas - e dos envolvidos que eram exceção à regra (como o enorme Pete Sampras, ainda prodígio no filme), entre muitos outros elementos que ajudam a quem não acompanha o esporte a se situar sobre o que era o tênis nos anos 90 e pra quem curte (como eu) vai poder admirar bastante como esse universo foi levado para as telonas.


King Richard é um filme tocante, muito bem feito e produzido, com grandes atuações e ótimas ambientações que lhe fazem ficar preso a tela e não lhe faz ficar pensando em que ato está essa bela jornada do herói e das heroínas. Torço para que Will Smith venha forte pro Oscar, já que a academia adora esnobar ele. Espero que dessa vez seja diferente e o exemplo de Serena e Venus Williams, duas pretas dominantes do esporte, se tornem mais regra do que exceção.


Nota: 5 acarajés (Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon, Olimpíadas e Aberto dos EUA).


Ficha Técnica


Nome: King Richards: Criando Campeãs (King Richards) Gênero: Drama, Biografia Duração: 2h25min Elenco: Will Smith, Aunjanue Ellis, Saniyya Sidney, Demi Singleton, Tony Goldwyn Roteiro: Zach Baylin Direção: Reinaldo Marcus Green Produção: Will Smith, Tim White, Trevor White Distribuição: Warner Bros.