Crítica - Love, Death & Robots (3ª Temporada)


“Que a consciência seja o seu guia”


No Volume 3 da série, somos imersos novamente numa nova gama de histórias originais e únicas em vários sentidos. Mas é preciso dizer que, dessa vez, esta obra se encontra em um nível totalmente novo e que vai redefinir muitos conceitos daqui pra frente.

Nesta nova temporada da Love, Death and Robots, não somos a todo tempo questionados sobre questões filosóficas a respeito de amor e morte, mas sim robôs. Ainda há espaço para esses debates, entretanto ele se encontra num nível muito mais sutil do que estamos acostumados. Neste novo volume somos mais convidados a exercitar a nossa capacidade imersiva e imaginativa do que qualquer outra coisa. Recheado de humor, morte (muita morte) e uma experiência audiovisual de cair o queixo, essa temporada nos esnoba com tanta beleza, criatividade e conteúdo narrativo. Com histórias simples e divertidas, tipo ver um mini apocalipse zumbi, a ver a verdadeira face do horror, arrepiar-se em agonia com cenas tão desagradáveis quanto necessárias.


Mas como tudo precisa de equilíbrio, a série também nos deleita com narrativas filosóficas e extremamente sarcásticas sobre o possível futuro da humanidade e traz uma não tão sutil crítica à natureza humana que é extremamente arrogante e gananciosa, cuja qual em um futuro não tão distante provavelmente causará a sua própria extinção.


É também necessário comentar a ação direta de alguns dos diretores executivos da série em episódios dessa temporada. David Fincher aparece na direção do episódio mais longo e um dos mais viscerais da temporada Bad Travelling, assim como o Tim Miller em Swarm, que é um dos episódios mais desconcertantemente macabros desse volume, sem falar na experiência visual e sonora mais atípica da série, até então, Jibaro que nos é entregue pelos olhos e ouvidos do diretor Alberto Mielgo.


Embora ainda seja notada a ausência de um “Zima Blue” neste volume, é mais que justo dizer que um episódio unicamente voltado pro caráter filosófico da própria narrativa não é estritamente necessário. O poder imersivo desse novo volume nos convida mais a se prender naquele universo assistido do que pensar fora dele. E eu lhes digo com tranquilidade que a ausência de pensamentos divagantes é algo mais que decorrente nesta nova temporada, que não só prende com a sua beleza e riqueza de detalhes mas também te desconcerta com um teor visceral fortíssimo e mudanças abruptas de teor dentro do mesmo episódio. Sem dúvida alguma uma das melhores experiências do ano até então.


“Nunca dê ao Monstro o que ele quer”


Nota: 5 acarajés recheados de camarão com uma coca geladinha.


Ficha técnica:


Título original da série: Love Death And Robots Vol. 3

Criação: Tim Miller, David Fincher

Direção: Tim Miller, David Fincher, Jennifer Yuh Nelson, Emily Dean, Andy Lyon, Roberto Bisi, Patrick Osborne, Alberto Mielgo.

Plataforma: Netflix

Estreia: 20/05/2022

País: EUA

Gênero: Ficção Científica

Ano: 2022

Classificação: 18 anos