Crítica - Mais que Amigos

“Amor não é amor… existem vários tipos diferentes de amor.”

Começo meu texto já dizendo que talvez posso ter errado algumas percepções que tive do filme, afinal eu como pessoa hétero e cisgênero não tenho as mesmas vivências que os personagens do filme. Porém, consultei amigos que fazem parte da comunidade LGBTQIAP+ e pude entender algumas lacunas que meu conhecimento não foi o suficiente para absorver do filme.


Bobby (Billy Eichner) é um bem sucedido escritor e artista gay que recentemente começou o projeto de sua vida: um museu LGBTQ+ no meio da cidade influente de Nova Iorque. Mesmo com os problemas que vêm com o seu sucesso profissional, o que mais impacta na sua vida é o fato de nunca ter se apaixonado, pois ele passa seu tempo livre procurando parceiros no Grindr para um sexo rápido e muitas vezes sem significado. Até que um dia em uma festa de um dos seus amigos, ele conhece o atraente Aaron (Luke Macfarlane) que lhe parece bem diferente dos outros caras que ele já conheceu pois parecem estar interessados um no outro, mas sempre o Aaron acaba se esquivando. Como ambos têm problemas de assumir compromissos em relacionamentos, eles vão juntos descobrindo como quebrar esses bloqueios pessoais enquanto ganham confiança um no outro.


Olha… eu achei a trama super divertida e fácil de assistir, com piadas super engraçadas e por muitas vezes até específicas da comunidade queer que só entendi por conta de conversar bastante com meus amigos e ouvir as piadas deles. O Billy Eichner está sendo ele mesmo nesse papel, o que não é tão problema assim, mas ele não está “atuando” de fato no final das contas. A química entre os dois protagonistas é muito boa e funciona durante o filme inteiro, apesar de que o desenvolvimento do casal é bem previsível, como uma comédia romântica geralmente deve ser. O elenco é recheado de atores LGBTQ+ representando eles mesmos, o que pra mim é uma característica positiva ao meu ver já geralmente vemos atores héteros interpretando gays como em Brokeback Mountain ou Clube de Compras Dallas. Essa real representação é muito importante para a sociedade pois essas pessoas precisam de visibilidade que felizmente vem aumentando cada vez mais ao passar dos anos. Tem alguns cameos bem interessantes em algumas cenas mas que não são nada mais do que cameos.

Porém nem tudo são flores: achei alguns dos estereótipos usados na história que me pareceram bem ofensivos e não tenho como dizer se são realistas ou não como o fato dos homens gays solteiros do filme - e até mesmo o Aaron - são retratados como promíscuos e que aceitam com facilidade qualquer homem gostoso que aparece na frente deles independente da quantidade. Alguns são retratados como histéricos e até as lésbicas são retratadas como um exército de ‘machonas’ em um dado momento. Teve um estereótipo que, segundo meus amigos, é bem realista que é sobre o quão selvagem é a comunicação entre as pessoas no Grindr, com pouco tempo de papo e com uma conversa digamos… mais incisiva. Faltou também uma exploração melhor da vida pública do Bobby.


No fim, é um longa que consegue agradar bastante o público geral e de mente aberta com seu humor bem distribuído por toda a história, mas que, dependendo de quem assiste, pode ser um pouco ofensivo em alguns momentos e até meio desconfortável por conta de uma cena onde o Bobby fala um pouco sobre todo o sofrimento que teve que passar para chegar onde chegou.


Nota: 4 Acarajés com uma cocadinha arco-íris.


Ficha Técnica:


Título Original: Bros

Duração: 115 minutos

Ano: 2022

Estreia: 6 de Outubro de 2022

Distribuição: Universal Pictures International

Produção: Universal Pictures, Apatow Productions, Stoller Global Solutions

Direção: Nicholas Stoller

Classificação: 16 Anos

Gênero: Romance, Comédia

Países de Origem: EUA

Elenco: Billy Eichner, Luke Macfarlane, Guy Branum, Miss Lawrence, TS Madison, Dot-Marie Jones, Jim Rash, Eve Lindley, Monica Raymund, Jai Rodriguez.