Crítica - Monstro

“o que você vê quando olha para mim?” – Steve

Um jovem estudante de cinema de dezessete anos é levado a julgamento erroneamente acusado de um roubo seguido de morte. “Como isso aconteceu?” você deve estar se perguntando. Eu já mencionei que ele é negro? Essa é a história de “Monstro” nova estreia da Netflix lançada no dia (07/05).


A narrativa conta a história de Steve Harmon (Kelvin Harrison Jr.) em duas linhas do tempo narradas pelo próprio Steve, denominadas como “antes” – que é a vida dele fora da prisão e o que o levou ao momento que ele está agora – e “depois” – a época em que ele está em julgamento e prisão provisória.



As cenas vão se alternando entre a história sendo contada através da visão do protagonista e os momentos específicos do tribunal, o que só torna a obra muito mais angustiante. É importante observar que o filme deixa bem claro que ele é apenas um jovem comum e não o caracterizou com uma pureza excessiva na intenção de mover o público. E não foi necessário. O roteiro feito por Anthony Mandler é baseado no livro homônimo (1999) de Walter Dean Myers que também assumiu a direção, realizando-a brilhantemente, fazendo com que o filme te faça sentir uma hora a meia se passarem em quinze minutos.


Esse filme traz uma discussão importantíssima sobre racismo e como a sociedade realmente enxerga um indivíduo negro. Se observarmos bem, o livro que baseou o filme foi escrito no século passado (mais precisamente 22 anos atrás), porém, ainda hoje, pessoas pretas convivem com o julgamento diário de “culpado até que se prove inocente” pelos olhos da população a nossa volta.


Em uma das primeiras cenas que se passam dentro do tribunal, ouvimos o promotor apontas para os dois acusados e chama-los de monstros. Interpretando aquela cena e trazendo-a para a realidade, a figura do promotor (Jeffrey Wright) é um símbolo para toda uma cultura estadunidense que enxerga nos homens negros (principalmente) de baixo poder aquisitivo, o culpado de tudo o que é errado e mal no seu convívio social. Nota-se o caso de George Floyd, vítima de violência policial nos EUA ao ser acusado de um crime que não cometeu e João Alberto, também vítima de violência policial. Em ambos os casos foi utilizada a mesma abordagem de sufocamento com o joelho como modo de imobilização em suas vítimas.


Desse modo, Monstro nos joga novamente na reflexão: Você acredita no sistema judiciário? Estamos realmente acusando criminosos, ou apenas apontando o dedo para os que mais “se parecem” com criminosos?


Nota: 5 acarajés

Ficha Técnica: Monstro

Duração: 98 minutos

Estreia: 7 de maio de 2021

Distribuidora: Netflix

Dirigido por: Anthony Mandler

Classificação: 18 anos

Gênero: Drama

Países de Origem: EUA