Crítica - Morte no Nilo

A morte de uma jovem herdeira, muitos suspeitos com motivos para matá-la e um detetive com vários problemas para lidar a fim de achar o culpado por tudo.


A mais nova adaptação do clássico romance policial homônimo de Agatha Christie traz para nós um filme envolvente e muito bonito e seu acertado elenco faz jus a obra nos colocando dentro da mente do ‘melhor detetive do mundo’.


Hercule Poirot (Kenneth Branagh), veterano de guerra e exímio detetive (dito por Bouc várias vezes ser o melhor do mundo) se encontra intrigado quando após o pedido da jovem herdeira Linnet Ridgeway (Gal Gadot), recém adquirido o sobrenome Doyle de seu marido Simon Doyle (Armie Hammer), faz um pedido para que ele a acompanhasse na sua lua de mel por não se sentir segura e pouco depois aparece morta. Nessa viagem de lua de mel com vários conhecidos da falecida, todos com motivos aparentes para matá-la, Hercule se vê em caso complicado que envolve até pessoas conhecidas como seu amigo de longa data Bouc (Tom Bateman). Decidido a resolver o caso, ele faz de tudo para encontrar o culpado mas muitas coisas começam a acontecer, deixando-o em uma situação complicada que nunca tinha vivido antes.


Por mais que ele seja homônimo tanto ao livro de Agatha Christie quanto ao filme de 1978, ainda se prova ser mais uma releitura do que um remake propriamente dito pois faz mudanças pontuais na história original, porém nada que tire o brilho do filme que é muito satisfatório de assistir. Outro ponto que me deixou embasbacado no cinema foi o quanto a fotografia desse filme é linda! Simplesmente muito bem acertada e fiel ao que se propõe com vários tons de branco e dourado representando bem a elite branca e rica dos anos 1930-40 e seus ares de grandiosidade, pontuado bastante por vários personagens do filme. Além disso, temos vários ângulos de câmera muito bem pensados que por inúmeras vezes ajudam a passar a emoção que você deve ter em cada cena. Kenneth Branagh rouba a cena nesse filme com sua atuação impecável e fiel a personalidade que a Christie estabeleceu para o Detetive, nos presenteando com diálogos várias vezes divertidos mas “classudos” e por vezes bem sérios. Emma Mackey também foi um deleite de se ver nesse filme, se me permitem pontuar.


Outro ponto positivo é que apesar de não ser recheado com estrelas de alto escalão de Hollywood, isso não impacta na qualidade do filme pois cada um teve seu tempo de tela muito bem dividido e bem pensado, nos dando a sensação de realmente estar “assistindo um livro”. Porém sou obrigado a pontuar que a atuação do Armie Hammer foi sofrível, principalmente uma cena de choro que rivaliza com a Jake Gyllenhaal em O Culpado como um dos piores choros que já vi no cinema. O set up da trama é de fato um pouco lento pois se gasta uma boa parte do filme para tal mas impacta tanto, pois quando a ação e os suspense começam, eles vão colados até o final do filme. O desfecho também pode parecer meio arrastado à primeira vista, mas num filme de detetive como esse é muito recompensador ver peça por peça se encaixando para resolver o mistério.


Charmoso e envolvente, vale muito a ida ao cinema para prestigiar uma nova versão do drama de Agatha Christie, principalmente se você assistiu Assassinato no Expresso do Oriente e gostou do que viu.


P.S: Não ter usado a versão da música Policy of Truth que está no trailer me deixou muito triste, porém entendo o porquê.


Nota: 4 Acarajés com crevette cortadinhos no prato.


Ficha Técnica:


Título Original: Death on the Nile

Duração: 127 minutos

Ano: 2022

Estreia: 10 de Fevereiro de 2022

Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures

Produção: 20th Century Studios, Kinberg Genre, Scott Free Productions

Direção: Kenneth Branagh

Classificação: 12 anos

Gênero: Drama, Mistério, Policial

Países de Origem: Reino Unido, EUA

Elenco: Kenneth Branagh, Tom Bateman, Annette Bening, Russell Brand, Ali Fazal, Dawn French, Gal Gadot, Armie Hammer, Rose Leslie, Emma Mackey, Sophie Okonedo, Jennifer Saunders, Letitia Wright.