Crítica - Moxie



Moxie é uma obra original Netflix que aborda o feminismo e questões relacionadas á gênero de uma maneira leve e juvenil, mas ainda assim extremamente poderosa.


O filme traz em sua narrativa o processo de Vivian (Hadley Robinson), uma jovem que sempre teve um comportamento alienado sobre o modo como ela própria e suas colegas eram tratadas dentro do ambiente escolar, pelo simples fato de serem meninas. Vivian é filha de Lisa (Amy Poehler), que por sua vez, enquanto jovem, debatia e enfrentava o patriarcado junto com suas amigas e sempre se coloca com opiniões feministas que são ignoradas constantemente pela filha nas cenas em família.


Logo no início da história Vivian conhece Lucy (Alycia Pascual-Pena), a aluna nova que já possui um comportamento emponderado e completamente diferente da personagem principal, porém ao invés de repeli-la, Lucy se mostra intrigada e inspirada a defender-se dos ataques machistas aos quais estava tão acostumada a conviver. E a partir dessa inspiração ela funda anonimamente o movimento “Moxie” que tem o intuito de ir de encontro as regras institucionais ultrapassadas, machistas e baseadas no patriarcado.


A trama aborda inúmeros espectros dentro da discussão feminista, como: assédio sexual, o feminismo interseccional (que abarca as diversidades e compreende os diferentes modos de opressão sofridos por cada indivíduo), o capacitismo dentro do ambiente educacional e a objetificação das jovens que são classificadas publicamente como “melhor bunda, melhor peito, mais pegável” dentre outros constrangimentos direcionados especificamente às meninas. Os temas são discorridos através de diálogos juvenis e leves, adequados para o público alvo, com a intenção de fazer com que meninas cada vez mais jovens tenham ciência do que ocorre a sua volta e possam aprender a posicionar-se.


Vários arcos são abertos, mas não são fechados. Na visão de algumas pessoas isso foi um ponto negativo para quem assiste, porém particularmente, vejo como se o “não encerramento” fosse uma metáfora para o que realmente ocorre na sociedade real: A luta feminista não acabou, ainda há muito a ser feito, existem muitos grupos a serem abraçados pela causa, inúmeras reformas a serem feitas dentro do próprio movimento e acredito que essa seja a ideia do filme, que é mostrar que aquele ponto era apenas de partida.


Um fator importantíssimo a ser observado no filme, e a ser questionado na nossa própria vivência, é como a maioria dos homens é ensinado a flertar com quem lhe é interessante, na maioria das vezes de modo agressivo e invasivo, e são socialmente incentivados a seguir desse jeito. Em contrapartida, quando uma mulher se defende equivalentemente e não aceita ser tratada dessa forma, automaticamente é taxada como agressiva.


De modo geral, o filme tem o intuito de reacender essa chama juvenil dentro das mulheres mais velhas e trazer novas pessoas para congregar e agregar novas ideias ao movimento que precisa ser sempre atualizado conforme as novas gerações e novas demandas.


Por outro lado, a trama é previsível e apela pro romance clichê entre a protagonista e o garoto apoiador da causa feminista. Não me entenda mal, eu adoro um romance, porém esse em específico não tem nada que nos faça shippar o casal ou sequer deixar nossos corações quentinhos. Todas as cenas são dentro do esperado ou levadas para o lado da comédia.


Para quem ainda vê no filme um diálogo extremamente juvenil e superficial, eu recomendo a série “Mrs. América”, estrelado por Cate Blanchett, que aborda o diálogo de modo muito mais maduro, mostrando o início do movimento nos estados unidos e o que foi necessário para chegarmos até hoje.


Nota: 3 acarajés