Crítica – O Esquadrão Suicida



“Da horrivelmente bela mente de James Gunn”


Loucura: substantivo. Alteração mental caracterizada pelo afastamento mais ou menos prolongado do indivíduo de seus métodos habituais de pensar, sentir e agir.


Seria eufemismo então afirmar que todo gênio é louco? O gênio em questão com certeza é! Mas é o louco do bem, que entretém ao passo que seduz os que o acompanham a ingressar na sua loucura. James Gunn, o gênio, o louco, nos agracia mais uma vez com mais um de seus espetáculos visuais e hilariantes, o melhor deles: O Esquadrão Suicida. Após o fracasso de crítica e bilheteria que foi o primeiro filme de 2016, ninguém era melhor do que Gunn para jogar um balde generoso de tinta neon em cima de uma pintura monocromática que parecia não ter mais salvação.


O filme em questão, de fato, tende a ser uma continuação, mas funciona como um reboot da franquia, um novo marco zero. A já conhecida Força Tarefa X formada por vilões em... reabilitação(?) tem uma nova missão digna de Ethan Hunt, se ele quisesse aceitar é claro, agora tendo que se infiltrarem na ilha de Corto Maltense afim de impedir experimentos científicos outrora dos nazistas que ainda estão numa grande instalação na ilha, chamada Jotunheim. E a bonificação pela missão é extremamente justa: Se obtiverem, êxito a pena sofre uma pequena redução. Se desertarem, uma micro bomba implantada no cérebro de cada um dos integrantes é acionada e o prato do dia vira Miúdos A Lá Gusteau. Super Stonks!


“Na justiça se resume toda a excelência”. Tá bom Aristóteles. Vou ser justo com o coitado do David Ayer, diretor do primeiro filme. A menor parcela da culpa pela película ser puro chorume é dele, uma vez quê foi obrigado às pressas a fazer drásticas mudanças de tom no filme após já o ter finalizado. Mudanças essas que foram requeridas pelos executivos da Warner após Batman vs. Superman ter sido alvo de duras críticas e também um fracasso de bilheteria, pelo o que era esperado do filme. Em contrapartida com isso, a Marvel nadava de braçada com um sucesso após o outro de crítica e lucro usando a fórmula que todos conhecemos. E essa galinha veio graciosamente pulando direto para os braços do pobre Ayer que precisou fazer refilmagens para adicionar piadas entre outras coisas não previamente planejadas em seu filme. O resultado? Se fosse pra usar uma escala de harmonização facial, o “Esquadrão Suicida” de 2016 é a cara do Chucky de tão remendado que é...


Justiça feita, façamos agora as honras. James Gunn é magnifico. É divertido. É Supla no Rockgol. É difícil de adjetivar! Daqueles idealizadores que você simplesmente se vê na obrigação de ver tudo o que ele assina. Que espetáculo de fotografia insana é esse filme. Muitas vezes lúdico, dramático quando apetece a Gunn ser, hilariante o tempo inteiro. Creio que não ria tanto em um filme do gênero desde a surpresa que foi o primeiro Deadpool. Não me acanho em dizer que esta aqui é sua Obra Prima. Sádico, sanguinário e engraçado, o velho Taranta sorri em algum lugar. Muito bem escrito, dirigido e filmado, e há de se destacar os efeitos visuais que deixam o espectador à vontade para viajar sem estranhamentos na estapafúrdia violência gráfica.


Atuações excelentes? Temos sim! Todos estão muito bem. E o melhor é não conseguir apontar um destaque se sobressaindo, uma vez quê todos tem seu tempo de tela muito bem dividido. A impressão é que ninguém está ali por acaso somente para morrer de forma bizarra, mesmo que isso aconteça com uma certa frequência como você deve imaginar. Se, no seu antecessor, claramente o protagonismo era do Will Smith e depois o resto que lutasse por um 1mm de espaço, aqui o espaço já lhes é cedido por osmose. Pra quem acha que é o filme da Arlequina por ser a Margot Robbie, vai ter uma grata surpresa.




O Esquadrão Suicida marca essa nova e empolgante fase da DC. Universo compartilhado com a visão de um mandatário? Não deu certo, acontece, bola pra frente. Qual a ordem agora? Bons diretores fazendo bons filmes com suas visões exclusivas dos personagens que lhe são delegados. E essa horrivelmente bela visão de James Gunn entregou um dos melhores filmes do gênero de super heróis e com certeza, junto com Coringa, o melhor filme da DC desde O Cavaleiro das Trevas.


James, se te apeteceu ser quem tu és, não recue ante nenhum pretexto. Mesmo que o universo de nerdolas chatos se organize para o dissuadir!


Nota: 5 acarajés.


Ficha Técnica:

Direção - James Gunn

Roteiro - James Gunn

Elenco - Idris Elba, Margot Robbie, Jonh Cena, Viola Davis, Sylvester Stallone e grande elenco

Distribuição - Warner Bros. Pictures

Assista o trailer de "O Esquadrão Suicida" abaixo: