Crítica - Os Filhos de Istambul

O novo lançamento da Netflix, Os Filhos de Istambul, veio com a promessa de ser um drama comovente e desejo informá-lo que o filme não decepciona quanto a isso. É um filme que realmente lhe prende até o fim por ter muitos enlaces de suspense e cenas muito fortes que lhe fazem realmente entrar no filme e sentir a agonia dos personagens.


O filme conta a história de Mehmet (Çağatay Ulusoy), um chefe de uma pequena cooperativa de catadores que vagueiam pelas ruas de Istambul, na Turquia, em busca de tudo o que possa ser reciclável. Mehmet enfrenta uma grave doença, mas encontra forças de onde não tem para ajudar um abandonado menino chamado Ali (Emir Ali Dogrul). Enquanto o faz, Mehmet tem que lidar com os próprios medos e traumas.


Sobre a parte técnica do longa, as atuações são competentes, uma excelente entrega da parte dos atores, principalmente do protagonista ao retratar os males do personagem com muita precisão e realismo. Até mesmo, o fofo Emir executou seu papel com muita maestria e encantamento.


A fotografia retrata uma cidade pobre, mas com suas belezas e seu visual colorido, não retrata seu cenário com degradação. A paleta de cores do filme estimula muito as emoções de quem assiste ao mostrar, no momento certo do filme, as emoções de felicidade e tristeza do personagem. A entrega cultural do filme, apesar de poder ser melhor aproveitada, é boa, mostrando alguns costumes do país como o banho turco.


O primeiro ato é competente em entregar ao público, de forma muito discreta, todos os personagens do filme fazendo você entender o lugar de cada um deles no decorrer do segundo ato em diante, quando é apresentado o problema central do filme: a busca incessante do protagonista para o que o garoto da trama encontre seu lar. O terceiro ato do filme é simplesmente surpreendente e curto, deixando quem assiste de queixo caído e extremamente comovido, principalmente porque o segundo ato tem um forte poder de crença no espectador de modo que ele realmente se envolve na trama.


A sonorização é muito boa, onde ela leva o espectador da alegria e leveza à tristeza e tensão em questão de segundos. Em um determinado momento da trama, durante um aniversário, a trilha muda de repente, tocando uma música bela, tensa e sombria, mudando todo o clima da ocasião. Traz ao espectador uma sensação semelhante aos confrontos de realidade em WandaVision.


A única coisa que não me faz dar 5 acarajés nesse filme é o segundo ato que, apesar de bom, achei um pouco desnecessariamente extenso, mas nada que prejudique a experiência.


Os Filhos de Istambul, é pra mim um bom drama turco e pode figurar entre os grandes títulos da Netflix. E se você chora fácil, sugiro que compre uma caixa de lenços ou peça pela internet – por causa do vírus que nós do Kiviage nos recusamos a dizer o nome, mas que também recebe uma discreta referência durante o filme – porque você vai chorar.


Nota: 4 acarajés.

Ficha técnica:


Título original do filme: Kagittan Hayatlar

Direção: Can Ulkay

Roteiro: Ercan Mehmet, Erdem

Elenco: Çağatay Ulusoy, Emir Ali Dogrul, Ersin Arici, Turgay Tanülkü, Selen Öztürk

Plataforma: Netflix

Estreia: 12/03/2021

País: Turquia

Gênero: Drama

Ano: 2021

Duração: 97 minutos

Classificação: 16 anos