Crítica - Pantera Negra: Wakanda Para Sempre


Em fevereiro de 2018, a Marvel lançou uma das produções mais icônicas de todo seu universo cinematográfico. Algumas características foram determinantes para que essa grandeza fosse estabelecida ao longa: uma trilha sonora marcante, um ótimo roteiro com várias mensagens fortes e diálogos eternizados em postagens sobre cinema no Instagram, além de uma excelente direção de arte. O resultado foram sete indicações ao Oscar, vencendo em três categorias.


Acima de tudo isso, Pantera Negra foi um filme lançado em Hollywood onde uma África forte era retratada e um elenco com uma maioria de pessoas pretas em papéis de destaque na trama, lideradas pelo herói Chadwick Boseman que seria (e será) eternamente lembrado por ser o rei de Wakanda, por conta do personagem T'Challa. O país fictício dos quadrinhos se tornou um grande símbolo representativo do povo preto fora das telonas somando aos braços cruzados, em formato de X, na altura do peito com a frase "Wakanda Forever".


Relembrar o poder do primeiro filme de Pantera Negra é essencial para entender as pretensões do segundo, começando com o subtítulo Wakanda Para Sempre. Uma frase muito adotada por entusiastas, ou não, de filmes de herói carregada com um peso enorme relacionada a eternidade de Chadwick, que faleceu em 2020. Outro fator determinante é a data de estreia do longa: Novembro de 2022. Desde a revelação da data, ficou claro que a Marvel planejava figurar novamente no Oscar.


Pantera Negra: Wakanda Para Sempre tem características muito similares ao seu antecessor, incluindo o roteiro com diálogos fortes, e o foco na Academia do Oscar é uma das justificativas. Mesmo inserido no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), é um filme com poucos vínculos no universo existente da Marvel. Além dos personagens existentes em 2018, apenas personagens novos são inseridos, como um Namor (Tenoch Huerta) mais presente do que se imaginava e parte fundamental na narrativa. Somado ao fato de encerrar a fase quatro, a sequencia de Pantera Negra tem uma trama que se resolve sozinha e isso é um ponto positivo para Ryan Coogler aqui. Claro que há referências e ficam pontas soltas para o futuro do MCU e de todo o núcleo de Wakanda, mas não há muita necessidade em ter visto todos os outros produtos do MCU para compreender o que está acontecendo.


Outra característica de "filmes de Oscar": Embora tenham ótimas cenas de ação (incluindo um bom quebra-pau entre a Pantera e Namor), aqui temos um drama (não tão carregado assim, como o primeiro trailer aparenta ser) com outros elementos adicionais. Guardadas as devidas proporções, dá pra lembrar de Creed. Em outras palavras: É a cara do Ryan Coogler - assim como Thor: Amor e Trovão é uma comédia com outros elementos e tem a cara do Taika Waititi -. A autonomia criativa que foi dada aos diretores, nesse novo momento do MCU para que produzam ao seu modo, é vista em Wakanda Para Sempre. Isso muito me agrada e torço para que as novas produções da Marvel - sejam filmes ou séries - sigam esse caminho e fujam um pouco da Fórmula Marvel, que está presente sim e imagino que sempre estará, como está presente no plot da Riri Williams/Coração de Ferro (Dominique Thorne).


Pantera Negra: Wakanda Para Sempre é uma demonstração clara que T'Challa é eterno, que o legado de Chadwick será sempre lembrado, mas que há vida após esses acontecimentos. É um filme que lhe fará chorar, rir, vibrar e ter outras emoções inerentes aos filmes de Oscar. Se irá aparecer de novo lá, é outro debate. Vingadores: Ultimato e Shang-Chi mereciam e não passou nem perto. Por mais que mereça, nunca se sabe o que se passa nos cabeças brancas da Academia. Mas uma coisa será mantida, com certeza: A identificação do povo preto com a figura do Pantera Negra e seu país de origem. Wakanda Forever!


Nota: 5 acarajés completos e sem pimenta.


Fica. Tem bolo e uma cena pós-créditos!


Antes dessa cena aparecer, a sensação de que é o melhor filme da Marvel vai ficar na cabeça de qualquer um que assistir. Diminuídas as emoções, dá pra afirmar que é um dos melhores e mais corajosos filmes da fase quatro. Não quero elencar o Top 1 porque chegamos na parte em que as liberdades criativas citadas acima vão direcionar preferências diferentes pra cada pessoa, assim como eu amei Thor: Amor e Trovão e tem quem prefira WandaVision 2.


Sobre as cenas pós-créditos, de fato: A FASE CINCO ESTÁ ENTRE NÓS!


Ficha Técnica


Nome Original: Black Panther: Wakanda Forever

Gênero: de herói, Drama, Ação e dois dedos de filme de guerra

Duração: 2h41min

Elenco: Letitia Wright, Tenoch Huerta, Angela Bassett, Danai Gurira, Lupita Nyong'o, Daniel Kaluuya, Dominique Thorne, Winston Duke

Roteiro e Direção: Ryan Coogler

Produção: Papai Kevin Feige, Nate Moore

Distibuição: Marvel Studios/Disney