Crítica – Papai É Pop



Numa sociedade onde surtos diários são mais comuns por conta dos pais (ou a ausência deles), é difícil a gente encontrar pessoas que amam muito e que dariam a vida pelo seu pai. Mas há exceções e não serão meus traumas que irão desvalorizar a importância da paternidade na nossa vida e não serão meus traumas que vão vir aqui nesse texto pra falar de Papai É Pop, o filme baseado no livro homônimo de Marcos Piangers.


Essa nova produção nacional tem Tom (Lázaro Ramos) e Elisa (Paolla Oliveira) como protagonistas. É importante frisar a atriz porque, embora o nome do filme remeta as atenções para o personagem de Lázaro, Elisa é muito importante para a história. Dá pra dizer que temos dois filmes em um, porque há duas tonalidades não tão distintas, mas diferentes o suficiente para entender que há uma mudança de chave e o que era uma comédia sobre pais de primeira viagem se transforma num drama com vários acontecimentos que podem lhe fazer chorar. Mesmo com essas alterações, a figura materna é muito presente, seja pela Elisa, seja pela Gladys (Elisa Lucinda). Eu acho que haver esse peso materno e qualquer outra semelhança com a vida real, não é coincidência.


Uma coisa que cabe menção é o fato do papai ser pop ser pouco explorado. O que poderia ser uma falha, não atrapalha tanto na experiência que o filme pretende trazer, até porque as histórias que cercam o Tom – aquelas citadas acima, que transforma a comédia num drama – são mais interessantes que o fato dele virar um youtuber, embora os vídeos tenham mensagens interessantes, que vem do livro inspirador do longa. Ainda falando de mensagens interessantes, um dos pontos fortes do filme são os diálogos que impactam os personagens e o espectador. São feitos pra fazer refletir e trazem lições importantíssimas.


De fato, é muito legal ver essas mensagens sendo transmitidas para o grande público nas telonas. É necessário que muitos homens assistam e entendam o tamanho da canalhice ao abandonar quem eles colocaram no mundo, principalmente antes do nascimento, ou serem escrotos com esses bebês já grandinhos. É fundamental que se enalteçam a força das mães solteiras, que matam um leão por dia e não desistem de dar o melhor para suas crias depois de serem abandonadas e serem obrigadas a enfrentar essa missão nada fácil. É obrigação dos pais serem presentes na vida de seus filhos e filhas, se mostrando um exemplo a ser seguido e dividir a responsabilidade com a mãe deles e delas. É opção sua assistir Papai é Pop, embora eu recomende muito se o seu pai for seu herói. Vale a pena demais.


Nota: 4 acarajés


Ficha Técnica:


Nome Original: Papai É Pop Gênero: Comédia e Drama, nessa ordem Elenco: Lázaro Ramos, o fenômeno Paolla Oliveira, Elisa Lucinda, Leandro Ramos, Dadá Coelho Roteiro: Ricardo Hofstetter, Marcos Piangers Direção: Caíto Ortiz Produção: Beto Gauss, Francesco Civita Distribuição: Galeria Distribuidora