Crítica - Stranger Things (4ª Temporada - Parte I)

Temporada retorna como a mais longa e mais apavorante de todas até o momento, mas nem tudo são flores.


Três anos após o lançamento da sua terceira temporada, Stranger Things retorna tendo não apenas um elenco, mas um roteiro igualmente mais maduro e intenso. Ganhamos o que pedimos tanto: episódios mais longos e que funcionaram perfeitamente para o novo estilo de roteiro extenso que os Irmãos Matt e Ross Duffer planejaram para essa nova empreitada.


Como já sabemos a história ainda se passa sobre o submundo existente em Hawkins, porém não temos um repeteco como acontece de costume com outras obras que seguem esse mesmo caminho e se tornam chatas. Ao contrário, Stranger Things 4 conseguiu aumentar o nível de interesse nesse universo, deixando claro que o que nos foi apresentado nas outras temporadas não era nem 10% do que eles prepararam para a finalização.


Nossos personagens estão em fases diferentes de suas vidas, mas ainda assim entrelaçados pelas relações que foram fortalecidas na temporada passada e, ainda dentro disso, não podemos esquecer que os traumas vividos por eles nos últimos capítulos da terceira temporada serão um forte tema a ser debatido nessa que chega agora. Isso tempera ainda mais a profundidade do seguimento da série.


Dessa vez descobrimos que nosso inimigo possui um nome, é muito maior e mais poderoso do que pensamos. Vecna é uma criatura que comanda todo o submundo de Hawkins e as criaturas que vieram dele, como o Demogorgon, foram apenas seus lacaios. Dessa vez, Vecna está em sua plena forma e pronto para atacar diretamente os habitantes da cidade que ele, de acordo com seus padrões, tem como alvo.


Percebemos que a duração dos episódios é claramente uma experimentação do quanto a série consegue se prolongar e manter o ritmo de suspense e tensão. A realidade é que o ritmo é extremamente satisfatório para a maioria dos arcos dessa temporada, partindo de momentos de alívios cômicos, até os que te deixam na beirada do sofá prendendo a respiração até acabar a cena. Não posso deixar de destacar a clara e deliciosa referência a Hora do Pesadelo (1984), que deixa tudo com um clima mais realista de que estamos nos anos 80. Ainda sobre as referências de terror, temos uma pegada muito mais realística e gráfica desses momentos, beirando cenas dignas de filmes como O Exorcista (1973).


Por outro lado, não posso deixar de destacar algumas coisas (até então) desnecessárias para a trama dessa primeira parte da temporada. O núcleo da Califórnia, composto por Jonathan (Charlie Heaton), que teve pouquíssima (quase nenhuma) participação no desenrolar da trama, o tão querido Mike (Finn Wolfhard) que não foi nada além de o namorado sofrido da Eleven (Millie Bobby Brown), e Will (Noah Schnapp) que saiu de amigo fiel de Mike para chaveirinho de Eleven. Porém, para benefício da dúvida há uma grande possibilidade desse arco ser muito bem aproveitado na parte dois que vai estrear em Julho, afinal, potencial dos personagens não falta.


De uma forma geral, a quarta temporada está recheada de plots sensacionais e cenas de suspense tão intensas a ponto de tirar o fôlego do espectador. Claramente esse mês de espera até a segunda parte vai demorar mais do que os três anos que tivemos que esperar de uma temporada para outra.


Nota: 5 acarajés


Ficha Técnica


Título Original: Stranger Things

Duração: 547 minutos

Ano produção: 2021

Estreia: 27 de maio de 2022

Dirigido por: Matt Duffer, Ross Duffer, Shawn Levy, Nimród Antal

Classificação: 16 anos

Gênero: Ficção Científica, Terror, Drama, Fantasia

Distribuição: Netflix