Crítica - The Melodic Blue (Baby Keem)

Baby Keem tem sido recentemente uma das minhas melhores descobertas nesse ano de 2021 e em seu primeiro álbum de estúdio vem com uma identidade bem original tanto no seu jeito de fazer música como nas suas escolhas para o disco The Melodic Blue. Primo de Kendrick Lamar, não se sente pressionado pelo nome do familiar e já chega com os dois pés na porta em sua primeira faixa trademark usa, com uma pegada bem mais agressiva e que muda no meio da música para algo mais “cuspindo palavras” com seu flow único. Pouco depois temos scapegoats, onde o Baby Keem começa a falar um pouco mais sobre o seu passado, as dificuldades que passou e que vai continuar a falar disso no futuro. Logo depois vem a minha preferida range brothers, com participação de Kendrick Lamar, onde temos os primos falando desde suas proezas sexuais até sobre a fama e sucesso que seus trabalhos têm trazido. Essa faixa traz uma dinâmica muito boa e uma característica que o Kendrick já usou várias vezes, que é dividir a música em várias partes trazendo uma experiência diferente para cada uma.

Em issues temos uma batida mais melódica e calma, onde o Baby Keem fala de todos os problemas que estão passando em sua mente no momento, como ele se sente culpado por não poder estar tão próximo da sua família como queria e como ele está tentando lidar com tudo isso. Ele já disse publicamente que essa música significa muito pra ele e já chegou a cantá-la ao vivo no Jimmy Fallon. Já cocoa com Don Toliver, por exemplo, tem um tema bem mais “leve” que é a velha ostentação de mulheres e dinheiro. Aí voltamos com Kendrick Lamar em family ties, uma música que mostra muito da lírica que o Keem tem nas letras e seu flow agradável de ouvir. Também dividida em partes, a faixa promove uma escolha de estética musical única que reflete até no clipe da música também (o qual eu recomendo fortemente verem), além de trazer um Kendrick bem falante sobre sua carreira e todas as pressões que ele vem recebendo. scars prova que o Keem não tem medo de falar sobre seus sentimentos, só que dessa vez ele usa uma batida mais animada para perguntar a Deus por que é tão difícil para ele amar alguém pois ele sempre sai machucado e com “cicatrizes” dessas relações além de culpar Ele por isso.


Já disponível como single a bastante tempo, durag activity, além de ter uma ordem dos versos diferente da sua versão em clipe, também traz a presença de Travis Scott numa faixa que discute conquistas e influência e a importância das mesmas. Eu também gostei muito de vent pois o Keem começa a falar com raiva sobre aquilo que veio com a fama: “amigos” que queriam apenas se aproveitar dele e a quem ele mesmo chama de ratos.


Em suma, The Melodic Blue faz com que entendamos que o Baby Keem não é apenas um garoto e nem apenas o primo do Kendrick Lamar. Ele se expressa de forma bem concisa e deixa claro todas suas convicções, dores, dúvidas e até mesmo seus próprios defeitos. Tive uma bela impressão desse primeiro disco e estou esperando pelos próximos.


Nota: 4 acarajés recheados.