Crítica - Um Lugar Bem Longe Daqui



É mentira quando dizem que a primeira impressão é a que fica. Tá. Por que eu disse isso? Assim como todo mundo que está lendo esse texto, já rolou de criar um hype altíssimo para um filme e ele ser uma tremenda desgraça. Eu costumo ser certeiro com a situação inversa, quando todo mundo enaltece o trailer enquanto acredito que a merda está desenhada, tipo a Liga da Justiça do Zack Snyder - disse que não gastaria meu tempo vendo aquela porcaria e eu estava certo -.


Dito isso, minha relação com Um Lugar Bem Longe Daqui não é de hoje. No começo do ano passado, saiu uma notícia aqui no site dizendo que a Reese Witherspoon ia produzir um filme baseado numa obra de um clube do livro famoso que ela participa e que uma tal de Daisy Edgar-Jones ia ser a protagonista do longa. O pensamento foi automático: "Taí algo que não vou assistir". Um ano e meio se passou e aqui estou escrevendo que eu estava errado, que esse filme é maravilhoso e que eu estou apaixonado pela Daisy.


Mas até chegar nessa conclusão, esse filme me passou várias impressões, começando pelo trailer, que promete algo num pique de suspense mais carregado. Há quem diga que exista uma pegada de terror. No fim das contas, ele apenas é um drama de Kya (Daisy Edgar-Jones), que passou sua vida em um brejo e enfrentou muita coisa por ser diferente dos moradores da cidade, cercado de um mistério sobre quem matou Chase (Harris Dickinson). O drama da Menina do Brejo e a morte do Chase são contados em paralelo, de um jeito bem parecido com o que vimos em Quem Quer Ser Um Milionário? (o filme ganhador do Oscar, não o quadro do Luciano Huck), e isso possibilita impressões variadas durante o tempo de filme por conta das transições acertadas entre um mistério de um tribunal e a explicação do momento numa paisagem bonita do brejo de Kya.


No meio disso tem um romance, momentos de humor e piadas e dois dedos de suspense, vai. A construção disso tudo geram impressões diversas sobre quem fez o quê, se certa pessoa tem razão em tomar tal atitude, entre outras situações encontradas na trama. Isso tudo está canalizado por uma pessoa: Daisy Edgar-Jones. Ela entrega tudo. Kya passa por muitas situações de diferentes formas e em ambientes variados. Rapidamente você compra a personagem e sente o desejo de defendê-la com unhas e dentes, ao mesmo tempo que dá vontade de guardá-la num potinho, sabendo que apostaria vinte reais nela em uma porradaria. A protagonista brilha muito. Mérito do roteiro e, mais ainda, da Daisy.


Bom, eu não li o livro da Delia Owens, mas tenho a impressão de que a adaptação é fiel em grande parte, resultando num excelente trabalho e deve incentivar muita gente a ler a obra original. A trama tem uma base simples, sendo que o passado e futuro são bem interligados, interessantes e muito bem construídos, permitindo com que qualquer surpresa aparente não seja algo jogado na sua cara. Quem assistiu o filme quer morar num brejo, desenhando a fauna local, e tenho a impressão de que esse desejo se repetirá. Felizmente minha impressão estava errada e espero que o filme lhe impressione também.


Nota: 4 acarajés e um abará


Ficha Técnica:


Nome Original: Where The Crawdads Sing Gênero: Drama, Mistério, Romance

Duração: 2h05min

Elenco: Daisy Edgar-Jones, a pitica Jojo Regina, Taylor John Smith, Harris Dickinson, David Strathairn, Michael Hyatt, Sterling Macer Jr.

Roteiro: Lucy Alibar

Direção: Olivia Newman Produção: Elizabeth Gabler, Erin Smirnoff, Lauren Levy, Neustadter, Reese Witherspoon (fala dela!)

Distribuição: Sony Pictures