Crítica - Uma Noite Em Miami



Antes de começar a ler a crítica, é importante saber de uma coisa: Uma Noite Em Miami é uma adaptação de uma peça teatral homônima de Kemp Powers, onde retrata um encontro hipotético de quatro grandes figuras: Sam Cooke, Malcolm X, Cassius Clay e Jim Brown.


Além disso, se deve saber de outras quatro, e mais, coisas: Sam Cooke é considerado o pai do Soul, além de ter se tornado um grande empresário, e grande defensor do povo preto americano, mas ele foi assassinado em 1964. Malcolm X, após uma infância e adolescência extremamente difícil, se tornou um dos grandes ativistas contra o racismo nos EUA, além de defensor do islamismo, e que foi assassinado em 1965 por membros de uma organização islâmica, cuja qual Malcolm havia deixado meses antes por possuir pensamentos e necessidades diferentes. Cassius Clay, que se tornou Muhammad Ali após se converter ao islamismo, foi um dos maiores esportistas da história, campeão olímpico e mundial de boxe e uma das maiores vozes defensoras dos pretos no mundo, que faleceu em 2016. Jim Brown foi eleito o jogador mais valioso da NFL por três vezes, trocou a carreira do futebol americano pela carreira no cinema e ele se tornou uma grande personalidade na luta contra o racismo, além de ser o único ainda vivo dos quatro citados.

Sam Cooke, Jim Brown, Malcolm X e Cassius Clay
(Reprodução - Prime Video)

É importante que se saiba que o escritor da crítica é um cara preto de 27 anos de idade, ciente do racismo estrutural na sociedade e suas implicações na cultura, e que por conta disso tem uma expectativa diferente pra qualquer coisa - principalmente na cultura pop - em que o racismo seja debatido e que os cinco acarajés que dei pra esse filme é diferente dos quatro acarajés que dei pra Mulher Maravilha 1984, por exemplo.


Dito isso, quero que saibam que o filme é excelente, tecnicamente falando. Apesar do primeiro arco quase inteiro não se passar em Miami, ele é fundamental pra entender um pouco sobre cada um dos quatro que foram a Miami naquela noite. As atuações de quem fez os quatro personagens principais são maravilhosas e a direção de Regina King - uma diretora preta, que já ganhou Oscar de Atriz Coadjuvante - é muito bem sucedida e conseguiu melhor dos atores em questão. Somando a isso, o roteiro é ótimo e consegue desenvolver muito bem esses personagens... pra uma ficção.


Se não saber de quase nada do que foi mencionado acima, periga você assistir Uma Noite Em Miami achando que quase todo mundo lá é mau caráter ou lunático - quando não é os dois - e pode não entender porque cada um age daquele jeito, no contexto e época em que estão inseridos. Se não sabe em que mundo nós vivemos, periga esse longa não ter impacto algum e não entenda sua real mensagem, cuja qual é um retrato de 1964 e que ainda tem implicações nos protestos de 2020 e da vida real em 2021. Se não souber o quanto é necessário esse filme, periga achar que é um bando de preto falando bobagem e pode desconsiderar essa produção. Caso o último caso seja de você que tá lendo, quero que saiba "desvio de personalidade" é pouco pra expressar o que penso sobre o que você tem na cabeça.

Nota: 5 acarajés e a torcida pra esse filme passar o rodo no Oscar.