Crítica - Vozes e Vultos




Nova estreia da Netflix, o filme Vozes e Vultos tem tudo, menos, de fato, vozes e vultos. A narrativa nos apresenta Catherine (Amanda Seyfried), uma artista plástica formada com honras, e sua filha Franny (Ana Sophia Heger), que têm sua vida bem estabelecida na cidade grande, mas cedem a nova realidade de se mudarem para o interior, porque o patriarca da família, George (James Norton), conseguiu um emprego de professor de história da arte no Vale Hudson. Porém a nova casa da família não é aconchegante como parece e somos apresentados a um típico cenário de “uma família feliz na casa mal assombrada”.


Aos poucos vamos nos dando conta que a família também não é a das mais felizes. Catherine sofre de bulimia (motivo pelo qual a Netflix deveria ter colocado um aviso de gatilho, o que não o fez), tem suas crenças no espiritual e se sente podada por ter aberto mão de sua vida para seguir os passos do seu marido. Enquanto isso do outro lado, George claramente se sente ameaçado pela admiração profissional que sua mulher recebe, é completamente cético e não dá o apoio que sua família necessita na maioria das vezes.


É importante ressaltar que o filme foi baseado no livro “All Things Cease to Appear” escrito pela Elizabeth Brundage, porém para os que leram o livro previamente, o filme toma rumos diferenciados para tentar explicar o roteiro.

Inicialmente o filme nos é apresentado com um fluxo agradável e uma tensão satisfatória, mesmo dentro do clichê de luzes acendendo sozinhas, cheiros inexplicáveis e portas batendo de madrugada. O espectador se sente atraído pela história, o enredo sobre questões bíblicas e espirituais que circundam muito bem os acontecimentos da casa, e aproxima ainda mais a narrativa do filme ao expectador, o que na minha visão é um grande ponto positivo, porém rapidamente somos expostos a tanto arcos da história que não sabemos em qual focar. Ao invés de continuarmos na história da casa amaldiçoada somos inundados com várias questões matrimoniais, como elas não estão sendo resolvidas, e as consequências disso. A intenção é fazer uma interseção entre as duas histórias, e deixar o espectador na dúvida se conhece esses personagens ou não, porém a transição foi feita de maneira pobre e corrida, o que praticamente nos entregou o final da narrativa antes mesmo de chegarmos na metade.


Podemos perceber que existe uma influência feminista bem grande nesse filme, e como a sororidade pode atingir mais de uma dimensão. Porém, mais uma vez, o filme falha em nos entregar o que queremos, fazendo com que o final além de mal explicado seja decepcionante. Nos últimos segundos somos expostos ao momento mais polêmico do filme, com uma passagem no mínimo curiosa, onde a intenção era trazer força para as mulheres que já foram um dia agredidas e violentadas pelos seus cônjuges, entretanto, ainda assim, enquanto mulher e feminista não me senti atraída e muito menos representada pelo final que nos foi apresentado. Entendo a proposta, mas ainda assim poderia ter sido melhor.


Nota: 2 acarajés


Ficha Técnica:

Duração: 121 minutos

Ano produção: 2021

Estreia: 29 de Abril de 2021

Distribuidora: Netflix

Dirigido por: Robert Pulcini, Shari Springer Berman

Classificação: 18 anos

Gênero: Terror/Suspense

Países de Origem: EUA