Crítica/Review: Para Todos os Garotos - A Trilogia


Este texto tem caráter crítico, mas analisará pontos da narrativa dos três filmes. Dito isso, fica o aviso de que contém spoilers... Pra ser mais honesto, esse texto é mais direcionado pra quem assistiu os três filmes, embora não vou brigar contigo caso queira ler esse texto antes de saber de quem se trata Lara Jean Covey, mas aconselho a assistir essa trilogia e juro pra você que eles são bem mais do que filmes clichê de romance adolescente.


Falando na Covey, ela é um tipo de personagem bem comum nos filmes de romance, ainda mais aqueles carregados de clichês. Ela é uma pessoa que acredita muito no amor e vive muito na ideia de achar a pessoa ideal. Ao mesmo tempo, ela é bem peculiar pelo fato de ter achado cinco pessoas que pudessem se encaixar no seu perfil de amor ideal. Quando a gente vê pessoas assim, já vem na mente que a pessoa é "emocionada", mas se lembre que no primeiro filme ela tinha 16 anos e as cartas que ela escreveu foram antes dela ter atingido essa idade. Eu tenho 27 e eu me apaixono a cada cinco segundos. Emocionado sou eu (porém depende).


Ela é apenas uma adolescente e a trama consegue trabalhar esse conceito durante o primeiro filme. Cabe a lembrança de que é muito maduro, embora problemático, da parte dela segurar a onda quanto ao fato de ter um crush antigo no cara que foi o namorado da irmã dela. Entretanto a trama trabalha bem as dificuldades e inseguranças que a adolescência traz, principalmente na maior problemática que os dois primeiros filmes trazem: a desgraça que a falta de diálogo pode causar - confessar seus sentimentos antigos para sua irmã mais velha e assumir seus sentimentos pelo Peter Kavinsky no primeiro filme e tudo aquilo que assistimos envolvendo John Ambrose no segundo filme.

(Reprodução - Netflix)

Dito isso, esses filmes nos fazem pensar sobre nossas relações amorosas - inclusive trazendo gatilhos pra algumas pessoas - e o que pode acontecer se a gente não souber lidar com elas. Essa trilogia é muito mais do que torcer pela união de Lara Jean e Peter (ou John Ambrose, por que não? O fato da sequência se chamar "PS: Ainda Amo Você" não foi à toa pra muita gente). Se um romance adolescente nos faz pensar tanta coisa, definitivamente ele não é um filme qualquer.


Já no terceiro filme, a gente fica reflexivo ao quanto as nossas escolhas podem afetar nossos relacionamentos e não me refiro apenas a Lara Jean e Peter. A Covey mais nova não revelou a aprovação na NYU porque ia sentir muita falta dela e não queria que outra irmã fosse pra tão longe, sendo que a Covey mais velha já tinha ido fazer faculdade na Escócia. Além disso, tem a reticência do Covey pai que não sabia que tinha o direito de começar uma nova vida amorosa, mas teve auxílio das filhas pra incentivá-lo a viver um novo amor depois de tanto tempo, enquanto muitas pessoas não tem essa gente toda perto pra dar aquele empurrãozinho.


(Reprodução - Netflix)

Quanto a escolha de um relacionamento à distância (que chamo de namoro EAD) e suas implicações, cabe a lembrança de que o primeiro filme começa com a Margot terminando o relacionamento porque não queria um namoro EAD e Kitty vive um namoro EAD com um guri da Coreia. Até sobre esse paradoxo, o filme traz um tipo de reflexão. Eu poderia entrar na discussão sobre a escolha de Lara Jean, mas eu tenho meu pensamento sobre a esse tipo de relação, não quero discutir sobre esse ponto e prefiro deixar que a audiência use de discernimento.


Pensei em falar das outras tramas coadjuvantes, como a relação entre opostos envolvendo os melhores amigos de Covey e Kavinsky, sobre a homossexualidade do Lucas ou da evolução/maturidade da Gen e sua relação com Lara Jean, mas como elas não foram tão trabalhadas assim durante a trama, acho melhor deixar pra lá e fazer apenas a menção e lembrar que, individualmente, essas pessoas tiveram grande participação no desenvolvimento do casal principal.


Para Todos Os Garotos Que Já Amei, Para Todos Os Garotos: PS. Ainda Amo Você e Para Todos Os Garotos: Agora e Para Sempre são três ótimos filmes voltados para o público adolescente, mas fez gente adulta chorar e pessoas de várias faixas etárias refletirem muita coisa, principalmente sobre relacionamento, algo que os filmes de romance não costumam fazer e merece todo o hype que tem. Questão de Tempo ainda continua sendo meu romance preferido, mas essa trilogia tem lugar no meu coração.


Nota total: 4 acarajés, sem medo de ser feliz.


Obs¹: Fiz uma crítica sobre o terceiro filme da trilogia da Netflix. Leia clicando aqui.

Obs²: Essa música ainda não saiu do meu modo repeat, no Spotify.