Recomendação - Tim Maia


Anos Dourados, pista colorida, globo de luz prateado, calças boca de sino, Black Powers sacudindo em todo o salão, e a música? Posso dar alguns bons palpites: “Do Leme Ao Pontal”, “Vale Tudo”, “Dance Bem”, “Acenda o Farol”. A similaridade entre todos esses sons? Todos provenientes da mesma voz única e eterna: Tim Maia.


Único: adjetivo, de que só existe um no seu gênero ou espécie; que não tem outro igual. Esse era o Tim, antes Sebastião, de uma infância humilde. Caçula de 12 irmãos, que pelas vielas do bairro da Tijuca, ao entregar marmitas para ajudar no sustento da família, virou o Tião Marmita. Mais tarde, já nos corredores da TV Tupi, ele já era Tião Maia... Pelo menos queria ser, mas Tião não é nome de artista, disse Carlos Imperial. Dai nasceu finalmente Tim Maia.


De uma voz grave e suave como nunca se tinha visto, uma genialidade perceptível desde os primeiros anos que foi destilada mais ainda na terra do Tio Sam, onde nosso herói se tornou vilão e até chegou a ser preso. Mas, dos males o pior, pois lá que sua veia do soul foi ativada e ele estava pronto para retornar ao seu lar (mesmo que deportado) para começar o seu reinado eterno como Rei do Soul.

"Tim Maia" (1970)

Seu 1° álbum: "Tim Maia", de 1970, foi um sucesso absurdo. Mais de 200 mil cópias vendidas, disco de ouro. Nele encontramos pérolas tais como: “Eu Amo Você”, “Coroné Antônio Bento” e “Primavera”. Não tinha jeito melhor de estrear. E ele foi além muito além, nos anos que se seguiram seus discos foram absolutos, musicas como “Descobridor dos Sete Mares”, “Me dê Motivo”, “Azul da cor do Mar” entre outros marcaram toda uma geração e até hoje aquece nossos corações ouvir a voz e a fúria de Tim. A revista Rolling Stones o coloca como o maior cantor brasileiro de todos os tempos e na sua lista de 100 melhores álbuns brasileiros, Tim tem 4 discos listados.


Ele era um desses ícones alcançáveis, nunca se preocupou com a perfeição do seu personagem, somente com a perfeição da sua arte. Provavelmente um dos mais imperfeitos gênios que já existiu. Mas o abuso de drogas, do álcool e também a obesidade nos tirou de nós muito cedo. Com apenas 55 anos, a estrela que brilhou mais forte no Brasil se apagou. Como ele mesmo disse o caminhão da vida que o atropelou tinha o nome dele na placa.

Sebastião Rodrigues Maia, Tião, Tim Maia do Brasil.


Nota pra Tim Maia: Indiscutivelmente, 5 acarajés


Por: Yuri Lopes