Review - Arcane

Desde o final de 2019, quando foi anunciado, Arcane era amplamente aguardado pelos fãs de League of Legends pois teríamos pela primeira vez as histórias tão bem desenvolvidas pela Riot Games (tirando a recente animação short-film do Rei Destruído) em formato de série e distribuído para o grande público. Em novembro de 2021 chegamos ao tão esperado dia de estreia e, meus amigos, superou todas as melhores expectativas que qualquer um tinha.

Arcane se concentra em contar a história de origem das irmãs Violet e Powder, sendo a primeira chamada de Vi por todos que a cercam, desde certo ponto da infância da Powder até chegamos próximo do tempo em que se passa a história do jogo em qual a série é baseada. Dividida em atos, logo no primeiro deles, tudo começa com uma dica do Chefinho (o qual logo mais pra frente descobrimos ser o Ekko) para um assalto em laboratório luxuoso de Piltover em que Vi, Powder, Mylo e Claggor tentam a sorte para conseguir uma graninha. Termina que o roubo não dá muito certo e após uma explosão do laboratório supracitado, uma briga e a Powder jogando os frutos do assalto no rio para poder fugir, conhecemos a Subferia e toda a natureza daquele submundo que contrasta e muito com a cidade luxuosa que fica logo acima deles. Gostaria de salientar que a ambientação das duas cidades estão muito boas aqui, fazendo com que aqueles que nunca tiveram contato com o material original pudessem mergulhar nesse mundo sentindo-se muito imerso naquele contraste das sociedades.


Ainda no ato 1 conhecemos aquele que será o principal antagonista dessa primeira temporada, Silco. Ele controla parte daquele submundo que não está sob a guarda de Vander, que além de ser uma liderança da Subferia ainda serve como figura parterna das crianças envolvidas no roubo já citado, tendo acolhido Vi e Powder quando elas perdem os pais. Nós também somos apresentados a Jayce, Viktor, Heimerdinger e Caitlyn, os quais chamarei de núcleo piltovense aqui. O garoto prodígio Jayce tem o sonho de tornar a magia acessível por meio da tecnologia e mesmo não apoiado pelo conselho da Academia de Piltover encontra em Viktor um parceiro para desenvolver essa pesquisa, a contragosto do Professor e Conselheiro Heimerdinger. Enquanto isso temos a Caitlyn apresentada apenas como uma garota admirada pelas criações de Jayce, seu amigo de longa data. Esse primeiro ato tem seu ponto alto no seu final em que acontece uma série de reviravoltas que te deixa sem fôlego do início ao fim do episódio e para aqueles que assistiram na época de lançamento, deixando os telespectadores aflitos esperando por uma semana para saberem como a história seguiria daquele ponto em diante. Chegando no ato 2, temos um melhor desenvolvimento do núcleo pilt (como diria o Ekko) com time skip de 7 anos em que notamos que a tecnologia com magia ou simplesmente Hextech acabou se tornando um sucesso e integrada ao cerne da cidade de Piltover possibilitando até viagens quase instantâneas pelos hexportais, o que fez o comércio de Piltover disparar em prosperidade. Enquanto Jayce é o garoto propaganda da Hextech, ele ainda continua a trabalhar com Viktor e expandem o sonho deles tentando tornar essa tecnologia acessível para as pessoas comuns. Vendo uma “mina de ouro” no Jayce, a Conselheira Mel Medarda começa a se aproximar dele e manipulá-lo para que ele acelere essa popularização da Hextech que é vista com receio por Heimerdinger. Caitlyn acaba entrando para a “polícia” de Piltover para investigar algumas coisas estranhas que andam acontecendo pela cidade, o que leva ela a conhecer a Vi e com isso acabando voltando à Subferia, onde agora o Silco comanda tudo. Chegando lá a Vi nota que sua irmã agora atende pelo nome de Jinx e está bem mudada. Temos também a aparição dos Fogolumes, uma espécie de grupo anarquista da Subferia os quais protagonizam uma das melhores cenas do ato 2. No ato 3 temos um ritmo bem mais frenético dos acontecimentos pois temos muito para resolver e a situação das duas cidades está bem complicada. Os melhores conflitos de Arcane estão nesse arco com muita luta, dor, destruição e sofrimento, além de várias questões éticas levantadas aqui. Há uma visita inesperada de uma pessoa de Noxus, a nação guerreira de Runeterra, que deixa inquietos Jayce e Mel durante suas interações. Ainda há uma exposição bem mais política nesse arco em comparação aos outros pois há conversas entre os governantes das duas sociedades aqui já descritas. O clímax final desse ato simplesmente te deixa tenso do início ao fim, mostrando como a Jinx e os outros personagens estão se tornando cada vez mais parecidos com o que vemos nos jogos.

Com tudo isso dito gostaria de frisar que Arcane faz várias mudanças de origem e desenvolvimento dos personagens quando comparamos com a história que temos no jogo, porém o modo como isso é feito ainda respeita e muito o original e conseguindo a rara proeza de melhorar a história em vários pontos que eram meio nublados no material já existente. Além disso toda a ambientação, animação e fotografia foram magníficas, pois simplesmente tu podia pausar o episódio em qualquer parte e tirar print que iria virar um belíssimo papel de parede para usar em qualquer lugar. Outro ponto foi que a história de Arcane foi muito mais madura e pesada do que as vistas no jogo do League of Legends, com vários assuntos que eu nunca achei que a Riot Games algum dia colocaria em alguma mídia com o selo deles. Há também várias referências em todos os episódios sobre o universo de League como itens, monstros, organizações e etc, sendo um prato cheio para os fãs de longa data do jogo.

Mas para mim o ponto alto de Arcane é o desenvolvimento da Jinx. Foi realizado com bastante cuidado e dando ênfase às suas preocupações, sua baixa autoestima, seu sentimento de querer ser mais útil para a irmã e principalmente seus problemas psicológicos que a atormentam a série inteira. Eu não sou médico e estou longe de ter domínio sobre o assunto, mas me aparenta que ela apresenta indícios de um grau de esquizofrenia bem forte somado a algum outro distúrbio e que isso impacta muito nas suas emoções, relações interpessoais e tomadas de decisões durante a série. Tudo isso é bem gráfico na série com suas expressões faciais, conversas com objetos inanimados e os monstros da sua mente que apareciam para lhe causar sofrimento. Vale salientar que a relação de Jinx e Silco tinha tudo para ser sexualizada pelo fato de ela sempre sentar no colo dele e ser bem apegada a ele, mas não foi feito isso porque deixavam bem claro que o Silco tem uma relação de pai-filha com ela pois ele em momento nenhum acaba fazendo algo com cunho sexual em direção a ela. O abuso emocional ainda estava ali pois ele se aproveita muito da dependência emocional que a Jinx possui. Arcane foi evidentemente feito para aqueles que não conhecem nada de League of Legends mas agrada todos os públicos, com seu desenvolvimento incrível de vários personagens, reviravoltas da história, pontos de tensão e clímaxes que te deixam te cabelo em pé. Podemos esperar que as pontas soltas dessa primeira temporada se resolvam na próxima, a qual já foi anunciada o começo da produção e que deve chegar às telas por volta de 2023. Até lá só nos resta teorizar o que vai acontecer em seguida. Nota: 5 Acarajés da Dinha completíssimos. Ficha Técnica:


Título Original: Arcane: League of Legends

Duração: ~374 minutos

Ano: 2021

Estreia: 7 de Novembro de 2021

Distribuição: Netflix

Produção: Riot Games, Fortiche Production

Direção: Pascal Charrue, Arnaud Delord, Jérôme Combe

Classificação: 14 anos

Gênero: Animação, Ação, Aventura, Drama, Fantasia, Ficção Científica

Países de Origem: EUA, França

Elenco: Ella Purnell, Hailee Steinfeld, Kevin Alejandro, Harry Lloyd, Toks Olagundoye, JB Blanc, Katie Leung, Reed Shannon,Mick Wingert, Amirah Vann, Remy Hii.