Review - La Casa de Papel - Parte 5 (Vol.1)

Chegamos até a última temporada de La Casa de Papel. Acompanhamos todos os detalhes do “superplano” do professor e suas desventuras que tinham o desenrolar majestoso de já estar dentro dos planos do líder do grupo.


Porém, dessa vez nos encontramos em um cenário completamente desconhecido, onde pela primeira vez somos surpreendidos com a insegurança e a não ciência do ponto forte, o professor. E vamos lidar com a situação sendo guiada apenas pelos componentes que estão dentro do banco da Espanha, sem informações privilegiadas e combatendo não só a polícia,

mas militares treinados e ex-combatentes de guerra.

Desde o final da quarta temporada, a série tinha deixado as expectativas no mais alto nível, os fãs mais ansiosos e a realidade é que o começo da temporada final não decepcionou em nada. Pelo contrário, trouxe tanta adrenalina, emoção e reviravoltas interessantes que o expectador não conseguia prestar atenção em outra coisa a não ser no segmento da série.

Nos primeiros episódios a narrativa preferiu focar na captura do professor pela inspetora Sierra e em como isso iria afetar não só o bando, mas os planos da polícia e até da própria Alicia, que instantaneamente deu a entender que não fazia a menor ideia do que faria assim que tivesse o seu alvo em mãos.


Alicia Sierra cedeu ao seu instinto animalesco perseguindo o professor como se fosse, de fato, uma caça à uma presa. Entretanto, não tendo mais vínculo com a polícia (ao ter tido seu nome jogado na lama pelos seus companheiros), Sierra não tinha um objetivo específico do que fazer com o professor. Então seguimos com cenas de tortura física e até mesmo psicológica para obter informações privilegiadas de como seria o plano de escapatória do professor para liberar o seu grupo, o que foi extremamente genial de assistir. Esses dois personagens de capacidade equivalentes e lados rivais se enfrentando diretamente e sem nenhum tipo de apoio externo.

E, por outro lado, temos a visão de dentro do banco da Espanha e o desespero dos componentes do grupo ao descobrirem que estavam sozinhos, mas como uma prece respondida, a ex-inspetora Raquel, intitulando-se agora como Lisboa, se torna a nova líder do assalto deixando claro que fará um trabalho tão bom quanto o de seu atual companheiro.

Papel o qual ela consegue cumprir muito bem. Lisboa teve um desenvolvimento muito bem feito ao longo das outras temporadas para chegar até o estágio em que está agora, completamente comprometida e envolvida com o roubo.


Finalmente vemos um personagem tão odiado por todos ser permanentemente excluído da narrativa, Arturo Roman (Arturito), após ser líder de um motim de reféns, acaba sendo baleado por Mônica (Estolcomo) e sendo internado às pressas para impedir sua morte. Um ciclo muito bem fechado inclusive. A única pessoa que ele ainda conseguia manipular mostrou que era capaz de fazê-lo parar, porém isso acarretou consequências graves, afinal a nossa heroína desenvolveu EPT (Estresse Pós-Traumático) ao quase matar uma pessoa e desfalcou o grupo, não estando sã o suficiente ao começar o uso de morfina para aliviar os sintomas de suas alucinações visuais.


Outro aspecto genial do roteiro foi induzir Alicia Sierra ao trabalho de parto enquanto interrogava o professor e deixar ainda mais claro que a relação dela com o roubo é muito mais profunda do que a dinâmica de polícia prendendo bandido. Temos sim uma conexão pessoal e profunda de rancor – quebra-cabeça esse que poderá ser respondido na próxima parte da temporada.


Os flashbacks que contam a história de Rafael, filho de Berlim com sua primeira esposa, nos dão dicas de que, possivelmente, ele será uma peça chave para o encerramento do roubo, mas ainda não sabemos qual o lado que Rafael estará.


Por fim temos o maior acontecimento de todos: a morte da protagonista Tóquio. Para alguns já era algo esperado, enquanto outros torciam para que ela fosse a última que restasse. Derrubando milhares de teorias e nos deixando no escuro, a morte de Tóquio foi cercada de emoção, ação e poesia justamente como a personagem merecia e era interpretada, mexendo com as emoções até de quem não simpatizava com ela.


Analisando em um aspecto geral, a temporada começou extremamente bem e não há do que reclamar. Longe disso, traz mais ansiedade aos fãs e nos levanta muito mais questionamentos do que os que foram respondidos com esses primeiros 5 episódios.


Porém temos que ser realistas e compreender que La Casa de Papel vai muito do além do que apenas uma série de roubo com cenas lisérgicas de tiros e lancha chamas. Nas temporadas anteriores pudemos ver uma pincelada sobre o assunto. Porém, dessa vez, nos aprofundamos nele, na importância de se valorizar as minorias e de dar voz aos excluídos. Ao longo do decorrer da série nos encontramos com um literal campo de guerra entre os militares e o grupo do professor. Ali tem muito mais do que se vê pela tela, a leitura por trás de todos os efeitos especiais e explosões é de como uma população, com incontáveis dificuldades e barreiras de todos os tipos ao longo da vida, deve enfrentar um sistema que foi imposto estrategicamente para impedi-los de crescer e foram moldados com todos os recursos financeiros dispostos possíveis?


Ver esse grupo vencer retrata a esperança da maioria da população, incluindo pobres, negros, não-brancos, LGBTQIA+ entre outros que se sentem constantemente presos em um espiral de planos falhos e sem perspectiva nenhuma de um futuro brilhante. Afinal, quando se tem esses sonhos dentro do espectro citado, você é apenas uma sonhadora ou sonhador e deve colocar os pés no chão.


A parte final só estará disponível no dia 3 de dezembro de 2021. Até lá, nos resta apenas desenvolver teorias e aguardar.


Nota: 5 acarajés